Esse sábado foi um dia de coisas inacreditáveis. Reparem que inacreditáveis é diferente de impossíveis ou milagrosas, mas talvez para um mesmo sábado até que foi intenso. Fiquei pensando que no Sábado o Ministro Minc talvez vá à praia e talvez não use colete o que seria mais uma coisa inacreditável desse sábado. Como no sábado também o Congresso não abre, ninguém fala nenhuma bobagem por lá, o que também entra na lista das coisas inacreditáveis que aconteceram hoje.
1 – A Venezuela ganhou do Brasil pela primeira vez na história do futebol. Inacreditável !!! Acho que o Chaves deve ter dado uma ligada pro Lula de madrugada mesmo pra tirar um sarro. Eu faria isso. Perder pra Venezuela no futebol ????
2 – Minha filha se arrastou por quase um metro pela sala atrás de um brinquedo. Foi inacreditável a sensação. Um misto de orgulho e superação de um mini ser atrás de seu objetivo.
3 – O São Paulo fez 5 gols em um jogo. INACREDITÁVEL. O Muricy vai ficar até doente, gripado por conta desse acidente. Como pode um time que ele dirige fazer tantos gols em um mesmo jogo ???
Fiquei pensando que talvez esse seja o fim de semana das coisas improváveis. Qual a coisa mais improvável que pode acontecer nesse domingo?? Pense bem !!! Aceito sugestões ...
Acho que a coisa mais inacreditável desse domingo seria se o Nelsinho Piquet terminasse a corrida sem bater em nada e ou em ninguém ...
A economia americana fechou 49 mil postos de trabalho em maio, enquanto a taxa de desemprego teve a maior variação em um mês desde 1986, chegando a 5,5%. Os dados foram divulgados nesta sexta-feira pelo Departamento do Trabalho.
O petroleo rompeu hoje U$ 136 dolares, nove recorde.
A economia não cresce.
O país em guerra.
Se os democratas não ganharem essa eleição, talvez nunca mais ganhem ....
Pensei em falar de futebol, pensei em falar de economia, pensei em falar sobre o quanto esse blog é bacana. Mas na hora do almoço, uma cara falou Hey You e me lembrei desse clássico, da segunda maior banda de todos os tempos ....
Não trato do quadro de Magritte. Infelizmente. Abro parêntesis.
(Revejo “Cidade de Deus” e “Tropa de Elite”, os filmes envelhecem na velocidade de nossa barbárie).
10% das favelas cariocas, hoje, são governadas (não encontro termo melhor) por milícias – esse é o tema do próximo filme que tentar entender a sociedade local, o naturalismo é um cachorro enlouquecido pelo próprio rabo.
Cena 1- jornalistas do jornal “O dia” são barbaramente torturados por uma dessas milícias.
Cena 2 – Um homem em estado grave é brutalmente assassinado dentro de um hospital em Cidade Tiradentes (periferia paulistana) – detalhe: fato que vem se repetindo com freqüência.
A invenção coletiva é a sensação de alívio que parece fazer parte da seara paulistana – o Rio de Janeiro e nossa periferia – são construções mentais, relatos distantes que os veículos de comunicação nos trazem. Mas...
As imagens dos moradores dessa cidade fugindo em massa para suas casas num meio de tarde, em maio de 2006, como se um tufão se aproximasse, é o signo desse estado. A cidade, que insiste em armazenar sua doença em seu inconsciente, explode em crises de pânico repentinas.
Se a proposta do ministro do colete, digo, do Meio Ambiente, Carlos Minc for aceita, é o que ouvirão os boizinhos que estiverem pastando onde não devem.
Sei que falamos disso por aqui, mas é bem legal. Se você entrar no http://www.dominiopublico.gov.br, acha tudo isso e mais um pouco. Para ler ou imprimir.
1. A Divina Comédia -Dante Alighieri 2. A Comédia dos Erros -William Shakespeare 3. Poemas de Fernando Pessoa -Fernando Pessoa 4. Dom Casmurro -Machado de Assis 5. Cancioneiro -Fernando Pessoa 6. Romeu e Julieta -William Shakespeare 7. A Cartomante -Machado de Assis 8. Mensagem -Fernando Pessoa 9. A Carteira -Machado de Assis 10. A Megera Domada -William Shakespeare 11. A Tragédia de Hamlet, Príncipe da Dinamarca -William Shakespeare 12. Sonho de Uma Noite de Verão -William Shakespeare 13. O Eu profundo e os outros Eus. -Fernando Pessoa 14. Dom Casmurro -Machado de Assis 15. Do Livro do Desassossego -Fernando Pessoa 16. Poesias Inéditas -Fernando Pessoa 17. Tudo Bem Quando Termina Bem -William Shakespeare 18. A Carta -Pero Vaz de Caminha 19. A Igreja do Diabo -Machado de Assis 20. Macbeth -William Shakespeare 21. Este mundo da injustiça globalizada -José Saramago 22. A Tempestade -William Shakespeare 23. O pastor amoroso -Fernando Pessoa 24. A Cidade e as Serras -José Maria Eça de Queirós 25. Livro do Desassossego -Fernando Pessoa 26. A Carta de Pero Vaz de Caminha -Pero Vaz de Caminha 27. O Guardador de Rebanhos -Fernando Pessoa 28. O Mercador de Veneza -William Shakespeare 29. A Esfinge sem Segredo -Oscar Wilde 30. Trabalhos de Amor Perdidos -William Shakespeare 31. Memórias Póstumas de Brás Cubas -Machado de Assis 32. A Mão e a Luva -Machado de Assis 33. Arte Poética -Aristóteles 34. Conto de Inverno -William Shakespeare 35. Otelo, O Mouro de Veneza -William Shakespeare 36. Antônio e Cleópatra -William Shakespeare 37. Os Lusíadas -Luís Vaz de Camões 38. A Metamorfose -Franz Kafka 39. A Cartomante -Machado de Assis 40. Rei Lear -William Shakespeare 41. A Causa Secreta -Machado de Assis 42. Poemas Traduzidos -Fernando Pessoa 43. Muito Barulho Por Nada -William Shakespeare 44. Júlio César -William Shakespeare 45. Auto da Barca do Inferno -Gil Vicente 46. Poemas de Álvaro de Campos -Fernando Pessoa 47. Cancioneiro -Fernando Pessoa 48. Catálogo de Autores Brasileiros com a Obra em Domínio Público -Fundação Biblioteca Nacional 49. A Ela -Machado de Assis 50. O Banqueiro Anarquista -Fernando Pessoa 51. Dom Casmurro -Machado de Assis 52. A Dama das Camélias -Alexandre Dumas Filho 53. Poemas de Álvaro de Campos -Fernando Pessoa 54. Adão e Eva -Machado de Assis 55. A Moreninha -Joaquim Manuel de Macedo 56. A Chinela Turca -Machado de Assis 57. As Alegres Senhoras de Windsor -William Shakespeare 58. Poemas Selecionados -Florbela Espanca 59. As Vítimas-Algozes -Joaquim Manuel de Macedo 60. Iracema -José de Alencar 61. A Mão e a Luva -Machado de Assis 62. Ricardo III -William Shakespeare 63. O Alienista -Machado de Assis 64. Poemas Inconjuntos -Fernando Pessoa 65. A Volta ao Mundo em 80 Dias -Júlio Verne 66. A Carteira -Machado de Assis 67. Primeiro Fausto -Fernando Pessoa 68. Senhora -José de Alencar 69. A Escrava Isaura -Bernardo Guimarães 70. Memórias Póstumas de Brás Cubas -Machado de Assis 71. A Mensageira das Violetas -Florbela Espanca 72. Sonetos -Luís Vaz de Camões 73. Eu e Outras Poesias -Augusto dos Anjos 74. Fausto -Johann Wolfgang von Goethe 75. Iracema -José de Alencar 76. Poemas de Ricardo Reis -Fernando Pessoa 77. Os Maias -José Maria Eça de Queirós 78. O Guarani -José de Alencar 79. A Mulher de Preto -Machado de Assis 80. A Desobediência Civil -Henry David Thoreau 81. A Alma Encantadora das Ruas -João do Rio 82. A Pianista -Machado de Assis 83. Poemas em Inglês -Fernando Pessoa 84. A Igreja do Diabo -Machado de Assis 85. A Herança -Machado de Assis 86. A chave -Machado de Assis 87. Eu -Augusto dos Anjos 88. As Primaveras -Casimiro de Abreu 89. A Desejada das Gentes -Machado de Assis 90. Poemas de Ricardo Reis -Fernando Pessoa 91. Quincas Borba -Machado de Assis 92. A Segunda Vida -Machado de Assis 93. Os Sertões -Euclides da Cunha 94. Poemas de Álvaro de Campos -Fernando Pessoa 95. O Alienista -Machado de Assis 96. Don Quixote. Vol. 1 -Miguel de Cervantes Saavedra 97. Medida Por Medida -William Shakespeare 98. Os Dois Cavalheiros de Verona -William Shakespeare 99. A Alma do Lázaro -José de Alencar 100. A Vida Eterna -Machado de Assis 101. A Causa Secreta -Machado de Assis 102. 14 de Julho na Roça -Raul Pompéia 103. Divina Comedia -Dante Alighieri 104. O Crime do Padre Amaro -José Maria Eça de Queirós 105. Coriolano -William Shakespeare 106. Astúcias de Marido -Machado de Assis 107. Senhora -José de Alencar 108. Auto da Barca do Inferno -Gil Vicente 109. Noite na Taverna -Manuel Antônio Álvares de Azevedo 110. Memórias Póstumas de Brás Cubas -Machado de Assis 111. A "Não-me-toques"! -Artur Azevedo 112. Os Maias -José Maria Eça de Queirós 113. Obras Seletas -Rui Barbosa 114. A Mão e a Luva -Machado de Assis 115. Amor de Perdição -Camilo Castelo Branco 116. Aurora sem Dia -Machado de Assis 117. Édipo-Rei -Sófocles 118. O Abolicionismo -Joaquim Nabuco 119. Pai Contra Mãe -Machado de Assis 120. O Cortiço -Aluísio de Azevedo 121. Tito Andrônico -William Shakespeare 122. Adão e Eva -Machado de Assis 123. Os Sertões -Euclides da Cunha 124. Esaú e Jacó -Machado de Assis 125. Don Quixote -Miguel de Cervantes 126. Camões -Joaquim Nabuco 127. Antes que Cases -Machado de Assis 128. A melhor das noivas -Machado de Assis 129. Livro de Mágoas -Florbela Espanca 130. O Cortiço -Aluísio de Azevedo 131. A Relíquia -José Maria Eça de Queirós 132. Helena -Machado de Assis 133. Contos -José Maria Eça de Queirós 134. A Sereníssima República -Machado de Assis 135. Iliada -Homero 136. Amor de Perdição -Camilo Castelo Branco 137. A Brasileira de Prazins -Camilo Castelo Branco 138. Os Lusíadas -Luís Vaz de Camões 139. Sonetos e Outros Poemas -Manuel Maria de Barbosa du Bocage 140. Ficções do interlúdio: para além do outro oceano de Coelho Pacheco. -Fernando Pessoa 141. Anedota Pecuniária -Machado de Assis 142. A Carne -Júlio Ribeiro 143. O Primo Basílio -José Maria Eça de Queirós 144. Don Quijote -Miguel de Cervantes 145. A Volta ao Mundo em Oitenta Dias -Júlio Verne 146. A Semana -Machado de Assis 147. A viúva Sobral -Machado de Assis 148. A Princesa de Babilônia -Voltaire 149. O Navio Negreiro -Antônio Frederico de Castro Alves 150. Catálogo de Publicações da Biblioteca Nacional -Fundação Biblioteca Nacional 151. Papéis Avulsos -Machado de Assis 152. Eterna Mágoa -Augusto dos Anjos 153. Cartas D'Amor -José Maria Eça de Queirós 154. O Crime do Padre Amaro -José Maria Eça de Queirós 155. Anedota do Cabriolet -Machado de Assis 156. Canção do Exílio -Antônio Gonçalves Dias 157. A Desejada das Gentes -Machado de Assis 158. A Dama das Camélias -Alexandre Dumas Filho 159. Don Quixote. Vol. 2 -Miguel de Cervantes Saavedra 160. Almas Agradecidas -Machado de Assis 161. Cartas D'Amor - O Efêmero Feminino -José Maria Eça de Queirós 162. Contos Fluminenses -Machado de Assis 163. Odisséia -Homero 164. Quincas Borba -Machado de Assis 165. A Mulher de Preto -Machado de Assis 166. Balas de Estalo -Machado de Assis 167. A Senhora do Galvão -Machado de Assis 168. O Primo Basílio -José Maria Eça de Queirós 169. A Inglezinha Barcelos -Machado de Assis 170. Capítulos de História Colonial (1500-1800) -João Capistrano de Abreu 171. CHARNECA EM FLOR -Florbela Espanca
Nesta quarta feira os diretores do Banco Central irão definir a nova taxa de juros no Brasil.
Algumas certezas:
1) Vai subir e vai ser no mínimo 0,5% 2) Não será a última do ano 3) Se subir "apenas" 0,5%, terá sido, em grande parte ao bom senso do Lula de enterrar o Fundo Soberano e aumentar o superávit primário, conforme anuncio feito pelo Mantega na sexta.
Se eu votasse ?? Aumentaria em 0,75% os juros para 12,5% ao ano e chegaria a 14% em dezembro.
Não agüento mais guardar isso só pra mim. Eu vejo todo sábado o Luciano Huck ! Tem mais. Eu choro quase em todo o programa !! ufa, falei !! tô me setindo melhor ...
O que é esse menino que acabou de ganhar o soletrando ??????
Estou torcendo pra ele desde o primeiro dia. Como pode alguém de 13 anos dizer que quer ganhar o concurso pra mostrar pra Minas, que o Vale do Jequitinhonha não é só pobreza ...
A família de 6 pessoas, com renda mensal de 200 reais ????? Um menino que vai pra escola há apenas 5 anos, tendo que andar 8 km por dia, sabe soletrar palavras que eu não sei repetir. Esse país é demais. Imagina se dessem condição para esse garoto, o que ele seria capaz de fazer.
Ainda bem que acabou o soletrando, agora eu só choro naquele quadro do Lar doce Lar ... na semana que vem.
O Teco foi no Jô esta semana. Se você não viu e quiser ver, está aí embaixo. Daqui a pouco todos nos encontramos no programa com platéia. Marcelo Rubens Paiva será o convidado. Até lá.
A Secretaria de Cultura de São Paulo está lançando o maior prêmio literário do país. O “Prêmio São Paulo de Literatura”. R$200 mil reais para a melhor ficção do ano, mais R$200 mil para o melhor estreante. R$400 mil reais dos cofres públicos. Segundo o secretário da pasta, João Sayad, o “objetivo do prêmio não é tanto divulgar um determinado autor, e sim incentivar a venda dos livros.”
Vamos com calma! Como assim?
Essa é a melhor idéia do secretário para incentivar a venda de livros? De dois livros escolhidos pelo concurso? Alguém acredita nisso? Alguém acredita que na semana seguinte ao prêmio as editoras dos livros vencedores não colocarão em suas capas a famosa etiqueta “vencedor do prêmio X”? Quase meio milhão de reais para promover dois autores?
Não sou contrário a prêmios literários. Sou contra lorotas e desinformação. Em entrevista para a “Folha de S. Paulo” o secretário utiliza o “Booker Prize” inglês como parâmetro. Confunde as bolas ou omite informação importante. Atualmente o prêmio atende pelo nome de “Man Booker Prize”. Desde 2002 o Man Group, portentosa corporação financeira, teve seu nome adicionado ao nome da fundação que gere o prêmio. Não há dinheiro público na jogada. O governo inglês não participa, quem o faz é a iniciativa privada.
É preciso cortar pela raiz essa tese que vai se alastrando pelo país da necessidade de subsídios à literatura. Ninguém com um mínimo de bom senso escreve ficção com objetivos financeiros. Para quem tem talento para escrita, o cinema, o jornalismo e a televisão são indústrias estabelecidas que atendem a essa finalidade. Se a Secretaria de Cultura quer incentivar a leitura, por que não repassa os R$400 mil reais, que irão repousar em dois bolsos, para os professores de ensino médio, em projetos pontuais para formação de novos leitores? Se quer incentivar novos escritores, por que não instala oficinas literárias em suas bibliotecas?
Ontem aconteceu algo inédito no país. Na verdade inédito desde 1991. Pela primeira vez desde então conseguimos apresentar um superávit nominal nas contas públicas. Certo. O que é isso ? Pra que serve ?? Por que isso é importante ??
O Brasil tem uma dívida de mais de 1 TRILHÃO. Essa dívida gera ao redor de 150 bilhões de juros ao ano.
Em algum momento recente o FMI e os credores encurralaram o FHC na parede e exigiram que o Brasil fizesse o mínimo. E qual era o mínimo exigido ?? Que a gente fizesse um superávit primário, ou seja, que a gente arrecadasse X ( via impostos) e gastasse Z (via ????) e que sobrasse um valor para que a gente conseguisse pelo menos pagar UMA parte dos juros da dívida. Prestem atenção ao detalhe. Não os juros da dívida, não a dívida, uma parte dos juros da dívida. Esse é o famoso superávit primário que o país vem fazendo já a 10 anos.
Um adendo - em parte do Governo FHC, nem isso era feito, ou seja, arrecadava-se X e gastava-se > que X e ainda tinha os juros da dívida e ainda tinha a dívida.
Voltando ao superávit, alguns economistas, defendem que o país deveria aumenta-lo para que a dívida parasse de crescer. Se a gente mantivesse ela inalterada, como o país vai continuar crescendo em 10 ou 15 anos, ela se tornaria muito menor proporcionalmente do que é hoje. O tamanho da nossa dívida em relação ao PIB que hoje está em 41% é o grande "entrave" que temos. Se conseguíssemos mostrar ao mundo que essa relação iria abaixar mais rapidamente, certamente cobrariam juros menores do Brasil e das nossas empresas.
Lula está pensando em elevar esse superávit. Se ele fizer isso, enterra de vez aquela bobagem de fundo soberano e mata 3 coelhos com uma tacada só: Ajuda o BC no combate a inflação, ajuda o país a reduzir mais rapidamente seu endividamento e por fim faz a FITCH, a outra grande agencia de Rating elevar o Brasil para grau de investimento. Basta fazer o anúncio.
Os números de ontem trouxeram esse milagre: o Brasil arrecadou, gastou, pagou os juros e ainda sobrou, ou seja, nossa dívida diminuiu. Foi a primeira vez desde 1991 que conseguimos fazer além do superávit primário, um superávit nominal (depois de pagarmos os juros). Uma beleza.
Em “Ensaio sobre a cegueira” uma epidemia torna os habitantes de uma cidade cegos. Os recentes casos de motoristas trafegando em alta velocidade na contramão de grandes vias serão o sintoma de um novo vírus?
Entendo que o governo queira diminuir o tabagismo. Mas as imagens divulgadas ontem, que serão estampadas nos maços de cigarro daqui a nove meses, são de um mau gosto atroz. Pior. Estetizam a morte e o sofrimento em fotos impecáveis. Mercantilizam a morte no lugar de afirmar a vida.
É fato, no mundo de hoje arte é igual a ativo financeiro. O comércio de quadros, esculturas e afins passa a constar do portfólio de aplicações dos mais endinheirados. Mais. Somada ao glamour que cerca a atividade, artistas transformados em grifes, correntes artísticas resumidas em releases das casas de leilão, a atividade propicia uma espécie de poder, à primeira vista pouco perceptível, mas de imenso impacto simbólico, a quem arremata as peças. Os recordes da semana passada parecem sintomáticos.
Os quadros de Lucian Freud e Francis Bacon foram parar nas mãos de Roman Abramovich, bilionário russo, banido de seu país, radicado em Londres, onde é dono do Chelsea Football Club. Já a obra da carioca Beatriz Milhazes vai para mais perto. Eduardo Constantini vai aos poucos transformando o seu Malba de Buenos Aires no destino de uma considerável parte do acervo nacional.
Suspeito que se os direitos autorais sobre as imagens dos gols de Pelé estivessem à venda, haveríamos de ir à Argentina para rever os gols do craque.
Quem ganha esta certo, quem perde, errado. Essa, dizem é a lei do esporte. Não pra mim. Hoje é dia de decisão para os alvinegros. Corinthians e Botafogo entram em campo para redimir seu passado recente, e decidir, provavelmente contra o Sport, quem será o primeiro classificado para a Libertadores do ano que vem. De casa cheia e com desfalques importantes, o time paulista entra para sua primeira grande prova deste ano, e se perder, a única. Porque , num campeonato de pontos corridos desta Segunda Divisão, o time parece que não terá grandes decisões e sim pequenas. A subida parece menos íngrime do que se pensava, e portanto sem percalços aparentes. Se ganhar, vai a uma final, a primeira desta “nova gestão”, a primeira de Mano. Alguns dizem que seria a cereja do bolo. Eu digo que é o bolo inteiro, com cereja à vontade. O Botafogo já passou por isso. Desceu pra Segunda, depois subiu. É o time que mais chega mas não ganha. Se perder, Cuca vai balançar forte e provavelmente cai. O que deve mexer com o São Paulo, que sinalizou o golpe da Libertadores voltando-se internamente contra Muricy. Quem conhece os bastidores do Morumbi, fala em Parreira e Cuca; quem conhece futebol fala em contratar jogadores e deixar Muricy em paz. É inevitável que a pressão aumente cada vez mais, e os dirigentes, como sempre, se eximam de culpa.
Ontem e amanhã
De quarta passada pra cá, o esporte tem sido grandioso, fonte de aprendizado e emoção. Primeiro foi o futebol, com uma final de Copa dos Campeões digna de roteiro de filme. Ver Terry, o capitão, digno e viril, símbolo de seu pais, escorregar e perder o pênalti da vitória, doeu. Vê-lo chorar daquela maneira redimiu o discurso “amador” e deu pena dos “profissionais” que pregam o fim do amor à camisa. Cristiano perdendo seu pênalti, depois de fazer pose e beijar a bola pra foto, e dali para o chão, deitado chorando, entregue. E tudo com a chuva, como disse o comentarista, que não cessava. Dali para o jogo do Maraca lotado, com gol aos 47 do segundo. Drama intenso, no maior volume. E assistir a Muricy, derrotado, mas digno, tendo que explicar o inexplicável. E dá-lhe NBA, com lances decisivos, um pênalti a cada 24 segundos. E fechar a quitanda com o Guga, simples, sincero e feliz. Foi o choro feliz da semana, no outro lado da balança dos choros das derrotas. Perdeu, acabou, chorou e deixou claro que o que importa não é o jogo, é o que se faz dele, é a vida.
Contraste: Ver os jogos fantásticos da NBA na ótima transmissão da ESPN em ginásios gigantescos lotados e no intervalo as chamadas do Pré Olímpico, com cenas do basquete nacional em ginásios capengas e desertos.
Lugar Comum: Ver o Guga e falar do desperdício que é o tênis no Brasil.
O escritor e colunista do "Estado de São Paulo", Marcelo Rubens Paiva. Infelizmente as inscrições já estão encerradas. Mas você ainda pode participar mandando sua pergunta pelo e-mail fimdeexpediente@cbn.com.br, ou pelo chat durante o programa.
Nos vemos no Teatro Eva Herz, ou nos encontramos no dial da CBN.
Cada dia que passa fica mais claro meu estado de espírito em relação ao país: Um otimismo - revoltante !
Na última sexta feira, quando recebemos Mendonça de Barros no FDE, ouvi pela milionésima vez que precisamos investir em educação e em infra-estrutura. Parece tão óbvio que não dá pra entender porque não acontece. Não acontece porque esses dois investimentos demoram muitos anos para dar resultados e as eleições são de dois ou em quatro anos, ou seja, você planta e o outro colhe e vamos combinar que bom mesmo é colher, né companheiro.
Henrique Meirelles, presidente do BC, está preocupado com a inflação e já avisou que os juros vão subir. Mantega, acha que não adianta subir os juros pois o problema da inflação é no mundo todo, logo subir os juros aqui não trará o barril do petróleo, por exemplo, para baixo. É nesse ponto que a gente consegue distinguir a enorme diferença "técnica"entre os dois. Uma diferença que vai fazer diferença daqui a 20 anos pra gente, dependendo de quem vencer a batalha.
O preço de algo é definido pela oferta e demanda. Se o Governo "congela" o preço da gasolina, mesmo quando o barril subiu 140% desde o último reajuste, o que acontece com a demanda ?? NADA. Logo, o Governo, acabou de "artificialmente" usar dinheiro público para aquecer a economia, quando na verdade ele deveria esfriar a economia para que os preços caíssem e não ficassem onde estão.
Esse ano ele já fez isso com o pão, com a gasolina e outro dia com uma tonelada de produtos, ou seja, o Governo está usando o dinheiro que está em caixa não para investir no que deveria e sim para manter a economia aquecida quando na verdade ela já está mais que aquecida.
O Governo precisa parar urgentemente de gastar dinheiro, principalmente, dinheiro que não seja em investimento. Se não o fizer logo teremos em pouco tempo uma nova bomba relógio por aqui e aí companheiro, aí eu quero ver o que o Ministro Mantega irá fazer ...
Cesar Osmar é jardineiro do Maracanã. Além de aparar a grama onde os (poucos) craques e os nem tão craques assim se enfrentam, ocupa-se de insuspeitada tarefa. Vivem naquele que um dia foi “o maior do mundo” cinco quero-queros (não se arrisque a dizer isso em voz alta). Como sabem todos que já se aproximaram do território das histéricas aves, estas não costumam ser muito cordiais com estranhos. Como no mínimo vinte e cinco estranhos correm para lá e pra cá, duas vezes por semana, próximos aos ninhos, Cesar achou por bem protegê-los. Com a iniciativa, Cesar descobriu que os ovos após serem tocados por mãos estranhas são abandonados. Daí a criatividade do jardineiro pinçou o achado. Em dias de jogo Cesar enche as mãos de tufos de grama e desloca os ninhos para lugar seguro. E quando retornam ao seu lugar de origem, os ninhos e seus protetores seguem como se nada tivesse ocorrido.
Hoje faz exatos sete anos que desembarcava de volta ao país, depois que quatro meses, de férias / auto-exílio / estudo de inglês / integração com o mundo em San Diego. Não sabia bem o que iria fazer quando chegasse, sabia que queria terminar o MBA, trocar de namorada e quem sabe escrever um livro. De resto não tinha a menor idéia do que fazer da vida.
Quando eu cheguei só se falava em apagão. Era uma paranóia só sobre isso. Não podia nem abrir a geladeira que alguém já berrava: olha o racionamento !!!!!
Depois de passar quatro meses onde tudo funciona, batia um desespero tremendo ver as coisas que por aqui não funcionavam. Ok, aqui tem arroz e feijão e lá não. Aqui tem futebol e lá baseball, aqui tem carnaval e lá tem R&B.
Nessa madrugada, lá pelas seis da manhã, fui recolocar a chupeta da minha filha e me lembrei de duas coisas: a primeira que naquele exato momento meu avião estava chegando em São Paulo (sete anos atrás). A segunda que uma taróloga me disse que a vida gira em ciclos de sete em sete anos.
Não esquecendo o que eu vivi antes, posso garantir que encerrei ontem, meu melhor ciclo (segundo a lenda da taróloga) e que começo hoje o novo ciclo de sete anos. Como ele será ?? Onde estarei no dia 25 de maio de 2015 às 6 da manhã ???
Esqueça “Indiana Jones”, o melhor filme de ação do ano é “Homem de ferro”. Corrijo. O melhor filme do ano é “Homem de ferro”. Que os deuses gregos eram um bando de pândegos vaidosos é fato, mas na Califórnia não se costuma rasgar grana feito papel. Alguma coisa mudou? Afrodite anda saindo com algum produtor de LA?
A Marvel resolveu montar um estúdio pra ganhar mais dinheiro com suas próprias criações. “Homem de ferro” é seu primeiro projeto. E o que eles fazem? Chamam o Spielberg? Não. Chamam Jon Favreau. Quem? Jon Favreau, um dos principais coadjuvantes de filmes esquecíveis do Telecine. Nenhum deles, diga-se de passagem, de aventura ou efeitos especiais.
Ok e o que mais? Chamaram o Brad Pitt pra protagonista? Aquele cara que parece o Dan?
Não, nada disso. Chamam o Robert Downey Jr. Quem? O cara que fez o Chaplin? Ele mesmo. O cara que chama a sarjeta de “meu bem”?Sim. O cara que... Chega! Se você não gosta de sarjeta o problema é seu. Mas em arte a sarjeta ensina muita coisa. Por exemplo? Nada que se guarde e se conte num blog. Mas quando Robert Downey Jr. abre a boca você logo diz a si mesmo: “Esse sim! Esse sabe como lidar com as sílabas!”. Afinal, ser ator é acima de tudo saber dividir bem as sílabas alheias. Seu misto de Hunter S. Thompson, Robocop e Schwarzenegger com cérebro é a maior atuação no cinema americano desde que Charlton Heston subiu numa biga. É disso que estou falando. É pra isso que a Califórnia foi feita. Tá bom tá bom... Eles têm os Lakers, garotas de pele dourada e meia dúzia de vinhos que valem a pena. Mas toda a noite antes de dormir, quando coloco meu pijama de flanela e rezo pelo fim da insônia e da caretice, pela volta do Biro Biro e do Zenon, e por um dia em que se possa atravessar a cidade inteira noite adentro só para colocar as idéias no lugar, sem que isso seja um risco à própria vida (além, é claro, dos riscos que nossa própria cabeça já produz), eu peço aos deuses gregos que a Califórnia e seu dinheiro, e sua tecnologia e os Jons Favreaus da vida tirem todos os Downey Jrs. da sarjeta e os coloquem diante de uma câmera para que eu possa numa noite quente de domingo sorrir enquanto salgo minha boca de pipoca.
Responda sem pensar. Qual a primeira, ou as primeiras palavras que surgem em sua mente quando você pensa em futebol. Beleza, amigos, marido bitolado, paixão?
Alguém respondeu culpa?
Pois se respondeu, tenho uma dica. Procure Muricy Ramalho, o homem que fez de seu próprio ofício uma penitência, que instaurou no universo futebolístico a auto-imolação. A milenar culpa judaico-cristã impedindo o prazer das carnes. O coro das massas, as marchinhas assanhadas transformados em réquiens. Diz o teólogo transformado em técnico: “a bola pune”. Os cronistas esportivos e os masoquistas de plantão o repetem e clamam: “Dê-me duzentas chibatas, oh centroavante adversário! Acabe coma nossa festa, finde nossa imerecida euforia!”
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva decidiu suspender o lançamento do Fundo Soberano do Brasil, anunciado há 10 dias pelo ministro Guido Mantega (Fazenda). Lula está preocupado com o cenário internacional adverso e a inflação em alta, e ainda tem dúvidas sobre o uso de recursos do superávit primário para formar o caixa do fundo, informa Valdo Cruz, em matéria publicada na Folha.
ALém de perder a vaga na Libertadores, perdi a piada do cofrinho do Mantega. Eta semana ruim ....
Amanhã tem programa. E será pra lá de especial, principalmente para os economistas. Para alguns ele é TOP 10, para outros TOP 5, para muitos o melhor economista do Brasil. José Mendonça de Barros, sócio da MB, será o nosso convidado e nos dirá o que acha, desde o cofrinho do ministro até o famoso grau de investimento.
Hoje é dia de bom futebol. Lá e aqui, decisão por todo lado. Fazendo inveja, Manchester e Chelsea decidem o titulo europeu na Rússia, e por aqui, Fluminense e São Paulo brigam para encontrar o vencedor da Europa em dezembro, pelo titulo mundial. Além de Boca e Atlas, no meio dos dois. Os românticos vão torcer pelo Manchester, o time que mais encanta, por Cristiano, Tevez ou Rooney. Dirão que o Chelsea joga em casa, que é um time de mentira, construído pelo espólio do Império russo e que é um time pragmático. Os azuis dirão que é assim mesmo, são pragmáticos e vencedores. Que mudaram de treinador, dispensando o chato Mourinho por um israelense desconhecido e deu certo porque tem um grande time. E que Terry, Ballack e Drogba seriam titulares em qualquer time ou seleção do mundo. Bem, pelo menos na do Brasil, seriam. E que tem estrela. Bom, isto todos dizem. Analisando jogador por jogador, o Manchester sai ganhando, mas a verdade que é um jogo em que tudo pode acontecer. Não há zebra, como com o Liverpool, nem um encantamento absoluto, como foi com o Barça. É a decisão mais equilibrada dos últimos anos. Como gostamos de definir personagens, numa novela, o bom seria o Manchester, o mau, o Chelsea. Na novela, no final o bom sempre ganha; na vida, em geral , é o contrario. Em todo caso, é a celebração total do futebol inglês, que conseguiu tão bem domar a violência, investiu dinheiro, seja russo ou do mercado de capitais, contratou bem, fez a festa e organizou a casa. Na disputa individual, acho que não tem pra ninguém, o ano será de Cristiano, perdendo ou ganhando. Aqui, no duelo tricolor, o tal “planejamento” vai pro tabuleiro. Quem ganhar, terá o aval positivo para seus investimentos e tudo que fez de errado vai pra debaixo do tapete. Se Thiago fizer gol, apaga a impressão de jogador de jogo pequeno; se Dodô marcar, também. Renato Gaúcho joga o cargo, Muricy, a paciência. Se o SP ganhar, reconquista o posto de “organizado”. O time que mais investiu por aqui foi o Palmeiras, mas foi o SP o mais questionado e agora, desse jeito meio atrapalhado e passional, abre as cartas na mesa. No jogo passado, estranhamente, os dois saíram felizes e confiantes pra hoje. Mas, quem perder vai abanar a tristeza pelo ano todo, neste Brasileiro sem fim. Jogando com esta zaga acho muito difícil o SP levar tres gols. E com Adriano e as laterais abertas, difícil não fazer um.
Brasília é a nossa Kripton, a nossa Lilliput ou a nossa Terra do Nunca. Acontecem coisas por lá que, aqui de São Paulo, parece filme de ficção. O problema é que acontece isso toda semana.
Ontem na CPI. Alguém ainda lembra sobre o que é essa CPI ?? Pois bem, ontem na CPI haviam dois depoentes: um que recebeu POR EMAIL um dossiê; o outro que mandou o dossiê por email.
O primeiro foi ofendido, criticado, chamado de tudo, porque chegou do almoço e havia um email no seu Outlook Express ????!!!! Quando ele abre o anexo, sem saber ainda, se era vírus ou não, ele percebe que era uma planilha de gastos da turma do FHC.
O segundo alega que não mandou o tal email ??? ou que mandou por engano ou que aquilo não era um dossiê ???
Vamos trazer o processo para um escritório de SP. Você tem um arquivo confidencial. Esse arquivo, claro que tem senhas de acesso, claro que está sendo elaborado por uma diretoria, claro que se você quer ferrar com seu chefe e "vazar" esse arquivo não vai usar o email, porque o email vem com o seu remetente e NÃO adianta você dizer que mandou para o Alexandre errado, porque o simples fato de enviar para alguém já configura um erro gravíssimo.
Resumo da ópera: eu quero saber quem fez o dossiê, quem espalhou o dossiê, quero saber também quanto que o FHC gastou, porém algo me diz, que quem vai acabar mal vai ser o infeliz que ao voltar do almoço, recebeu a seguinte mensagem: VOCÊ RECEBEU UM EMAIL.
A ironia é dizer que o presidente Lula não entende nada de geografia, daí não surpreender sua confusão quanto à capital da Alemanha. Sei não. Trocando Berlim por Bonn, retoma a antiga cisão da Guerra Fria. Mais. Essa pequena gafe, em que Bonn é recuperada, mais parece revelar algum antigo recalque. Bonn? Quem se lembra de Bonn? Por que um homem de esquerda lembra-se de Bonn? Deve ser mesmo um problema geográfico.
Vejo no Cinema Novo profunda relação com a posição que o movimento modernista ocupa em nossa cultura. Há um discurso vanguardista, uma idéia de rompimento com a tradição em suas origens, que ao observador mais atento se mostra inverídica.
Aponto dois pontos, para não me estender muito, e dar vazão a possíveis respostas.
Quanto ao financiamento, é certo que sem as elites nem o Modernismo nem o Cinema Novo teriam acontecido. Mais. A relação entre o Modernismo e a elite cafeeira, faz da proposta do grupo paulista de dar vazão à nossa identidade nacional, uma operação ideológica, própria ao projeto político, que por ironia do destino irá se consolidar com Getúlio Vargas. Mais. Rompe-se com a tensão que motivou boa parte das vanguardas européias do começo do século XX, de crítica ao mundo que se formula, de crítica à sociedade burguesa. O falacioso processo de recepção do surrealismo no Brasil é ponto central dessa questão. Por chocar-se – o movimento de Breton, não obstante de matriz marxista – com os interesses dos financiadores de nossos pretensos vanguardistas.
Não é diferente com o Cinema Novo. Não haveria filmes sem o dinheiro do banqueiro José Luiz Magalhães Lins, dono do Banco Nacional (entrevista desta segunda com Luiz Carlos Barrreto em “O Globo”, deixa ainda mais clara a questão), como também não haveria Embrafilme e seus males, sem o Cinema Novo. O que se vende como vanguarda, reforça-se como establishment.
Quanto ao tema, não surpreende que o projeto estético de Glauber Rocha seja em muito uma espécie de catarse, de recortes psicodélicos e utópicos. Assim como não me causa estranheza ser parte desse projeto tomar o agreste como cenário e catalizador mítico. Nos anos 1960 o Brasil já é um país urbano, e a grande questão a ser pensada é a da configuração de novos modelos de cidade, da sociedade constituída nesse novo espaço geográfico, que ferve diante de nossos olhos nos dias correntes. Ao criador que dialoga com seu tempo, essa temática não pode escapar, e o que faz o Cinema Novo? Repõe tensões já expostas em nosso Regionalismo literário dos anos 1930, ademais em autores como Euclides da Cunha. Aliena-se no que parece revelador. Ausenta-se no que precisa ser revelado.
Por fim, o que se quer expor é o processo de tentar estabelecer o establishment como vanguarda. De utilizar o termo, continuamente ligado a uma idéia de “novidade”, ao oposto de sua real posição: romper com o que lhe cerca, desvendar o tempo em que se vive, dando pistas sobre o futuro.
Ainda causa alvoroço a carta de Einstein leiloada na semana passada, em que o físico afirma sua descrença em Deus. Os jornais recebem cartas, acaloradas discussões ocorrem em sítios e blogs na internet, amigos céticos desafiam os amigos mais crentes em telefonemas intermináveis, e as empresas de leilão faturam alto com o evento. Só quem nunca escreveu uma carta leva o conteúdo de uma carta a sério. Desconsiderando as missivas de caráter objetivo, profissional, que comunicam dados ou fatos, toda carta de cunho pessoal é a exposição de um momento, de um ato de reflexão de quem a escreve. Deslocar uma peça de um conjunto de correspondências pode servir à curiosidade instantânea, mas não como documento histórico. Uma carta diz tanto sobre alguém, quanto a fração de memória que a retina absorve num carro em alta velocidade.
Ah! Essa escola Ferran Adrià de culinária! Desculpe-me. De gastronomia. Ou melhor. De alta gastronomia. Espuminhas, líqüidos incandescentes vazando de envoltórios congelados! Agora todo restaurante adere à moda. Já estou vendo a cena. O cidadão encostado no balcão do velho boteco, esperando salivoso, o sanduíche de pernil. Dez minutos depois volta o chapeiro, que agora atende por um novo nome, levemente constrangido, com uma finíssima fatia de bacon sobre um naco de tomate e uma rodela de pimenta de cheiro. “Que é isso rapaz?”, pergunta o cliente. “É uma leitura contemporânea do velho sanduíche do pernil.” Haute cuisine, mon Cher, ora bolas!
O PAC NOS ensinou que, em matéria de políticas públicas, a alma do negócio está na embalagem, e foi exatamente um grande embrulho o que tentou fazer o ministro da Fazenda no anúncio da criação do Fundo Soberano do Brasil. O que era para ser uma espécie de festa se tornou um evento para enfeitar a galeria dos momentos mais constrangedores da sala de imprensa do ministério.
Por mais complexos que sejam os assuntos referentes a contas públicas, e não é preciso entrar no detalhe, o brasileiro, em geral, e os jornalistas presentes naquele auditório, em particular, já aprenderam a não se deixar enganar nesses temas. A idéia de que o governo brasileiro tem uma "poupança", ou um "superávit excedente", ou um dinheiro "sobrando" é tão ridícula quanto a imagem que o ministro usou de um "cofrinho".
O Brasil tem déficit (abstraídos os truques de praxe), algo da ordem de uns R$ 40 bilhões ou R$ 50 bilhões para os últimos 12 meses, e qualquer gasto adicional, como o proposto pelo ministro, representará um acréscimo da dívida pública, ou nos impostos, ou nos juros.
É curioso. Se a coletiva fosse para o anúncio de novos gastos de R$ 20 bilhões ou R$ 30 bilhões, ou numa grande ferrovia, ou na transposição de um rio, ou em emendas de parlamentares, ou para capitalizar o BNDES, uma grande cizânia estaria criada em torno do uso do dinheiro, que todos sabem que é pouco e muito disputado. Mas o embrulho do ministro confundiu as coisas, pois ele mesmo se empenhou em misturar "excesso de reservas internacionais" com alguma forma de "sobra" nos cofres do Tesouro. O ministro não veio à coletiva para esclarecer, mas para soltar balões.
Portanto, o que ficou de sua fala foi a intenção do governo em se endividar pagando 12% ao ano ou mais, para usar o dinheiro em investimentos no exterior definidos de forma bastante vaga, fazendo crer que vai emprestar para empresas brasileiras que não precisam e cobrando rendimentos da ordem de 4%.
Seria o primeiro caso no planeta de um fundo soberano "alavancado", ou seja, para o qual o governo toma dinheiro emprestado para fazer investimentos, e também o primeiro desenhado para perder dinheiro.
É difícil explicar porque você simpatiza com um lugar, mas a verdade é que simpatizo muito com Buenos Aires. Seu clima de uma certa melancolia, integridade, charme, quase arrogância. Misturo com os filmes que adoro, e encontro uma simplicidade boa. Claro, ainda tem os cafés, a carne, o castelhano, os táxis e o Boca, grande Boca. Há quem ainda se prenda ao fato que é barato, e tem razão. Descobri chegando lá que nosso real vale quase o dobro que o peso, o que realmente deixa tudo ainda mais livre. Nunca fui num tango, talvez devesse, mas gosto da musica. Sempre vou no teatro, que transita entre uma cópia brega da Broadway, comerciais bem feitos e experimentais muito bons. Lá há mais grupos que aqui, portanto mais novidades. E ver teatro em outro pais é sempre renovador. Dessa vez fiquei em Palermo Viejo, o bairro descolado. Como eles tem um namoro estranho com a América, amor e ódio, tem o Palermo Hollywood, o Soho ou o Viejo. Todos se misturam, segundo eles, fiquei no Viejo. Ali, são lojas da moda, cafés e restaurantes descolados misturados com oficinas antigas e praças. BA é plano, mas não tem muitas bicicletas. Por outro lado, fácil de andar. Dali, tem o Bar 6, que é bom e um charme, e também o Uriarte, restaurante da moda, se você quiser conhecer, o Olsen que é lindo, moderno,e por outro lado a casa de Borges. Na rua do Uriarte tem uma linda livraria e o trem passa por perto, entre lojas de roupa, moveis e arte. Tudo é menos pretensioso que aqui, o que acho que faz diferença. Tem parillas (como chamam os de carne na brasa) e as feias e universais barraquinhas hippie. Ok, vale o passeio, muitos cantinhos bons. Dali, San Telmo, o bairro dos antiquários. Ali vão te lembrar o tempo todo da grandiosidade do passado argentino, e naturalmente , de sua queda. Não perca o Mercado de San Telmo, ou pelo menos passar no Pátio del Tempo (nem que seja pelo nome). Há também uma esquina com o Britânico, restaurante simples onde ia sempre Sábato, um de meus atores preferidos. Em frente, uma praça enorme, que quando estava lá foi palco das manifestações e discursos de Primeiro de Maio. O segredo é descer a Defensa, cheia dos antiquários, que acaba no Britânico e na praça. Nos guias, você vai achar varias dicas de restaurantes por lá, quase sempre tradicionais, simples e baratos. A feira de San Telmo acontece no fim de semana, mas é uma versão reunida do Mercado, ao ar livre, com os preços aumentados para os turistas. Feira de turistas também achei a do cemitério da Recoleta. Ali é o bairro chique. Armanis e casacos de pele. Na crise, era ali que quebravam as vitrines. Por outro lado, andando parece Madri ou Paris, as avenidas largas, para um passeio, é bem bonito. Passe no Ateneu, que é a livraria que foi feita num Teatro abandonado. Vale a pena pra conhecer. Se gostar de futebol ou de emoção a pedida é a Bombonera, casa do Boca. O time é um time de bairro, todo pintado de azul e amarelo. Um pouco over, Evita, Gardel e Maradona por todos os lados. Todos. Mas fique esperto, por que tem muito roubo, trombadinhas, etc. Nada de novo pra gente, mas é bom ficar ligado. Se quiser ir no jogo, tem empresas que te levam, custa mais, mas é bem mais pratico e seguro. No otro lado del rio, como diz o uruguaio Drexler, repousa Puerto Madero, a Berrini deles, só que so de restaurantes e hotéis. São os mais badalados e com cara de lavagem de dinheiro. Mas tem sua beleza. As churrascarias conhecidas estão por lá, mas eu gosto mais das antigas em san Telmo como a El Desnível por exemplo. Ande de táxi, que é fácil e barato e ande a pé, que é tudo perto. Tem gente que quando vai com a cara do motorista de táxi, pede a ele que dê um giro na cidade. Em geral, tem um orgulho enorme da cidade e fazem isto numa boa. Claro, não é uma regra geral. Com certeza, vai descobrir cafés e livrarias boas de entrar que eu nem vi, há como a cidade ser pessoal para cada um, isso é bem legal. Um alfajor, um sorvete de doce de leite ou um almendrado são as dicas de sobremesa ou para o meio da tarde. E quase esqueço daquele Centro, com a Florida e suas galerias. É o centro de SP, camelôs, gente, artigos chineses e chaveiros do Mickey com a camisa do Maradona. Que, alias, é o Rei, indiscutível e inquestionável. Pra que gosta de muvuca, vá, mas dependendo da época, será uma muvuca só de turistas caminhando no fluxo com você no meio. Ali você encontra o Richmond e o Tortoni, os cafés mais tradicionais e antigos da cidade. Enfim, BA é um encontro especial. Europeu e latino, exagerado e lírico. Em PB ou colorido, recomendo.
Escrevi este post dia 2 de janeiro. Posso dar ele como "águas passadas" ou ainda temos polêmicas ??
02/01/2008 CHUTES, PALPITES, DESEJOS E CERTEZAS SOBRE 2008
Prever 2008 será bem mais complicado do que foi 2007. Aliás, 2007 foi a vitória dos otimistas. Quanto mais otimista você estava, mais certas foram as previsões acertadas. Vou me dar ao luxo de falar apenas sobre o primeiro semestre. Esse sim, parece fácil. Para chatear os chatos de plantão, me darei o direito de não classificar os itens como chutes, palpites, desejos e certezas. Fica para o bom senso e feeling de cada um.
1 - Enfim acabou o efeito pré - COPOM. Os juros aqui não se mexem mais até julho. Caso se mexa, será para cima.
2 – Os juros seguem subindo na China e seguem caindo nos EUA. Até julho, com certeza.
3 – O dólar vai ficar entre U$1,70 e U$ 1,85. Se sair, sustentavelmente, desse patamar, será pra cima também.
4 – O Imperador arrebenta no São Paulo. O Leão arrebenta com o Santos e o Corinthians continuará a cavar seu poço.
5 - O Governo viverá bem sem a CPMF e se ele conseguir por 3 ou 4 meses, não pronunciar a frase “redução do superávit primário”, poderá faturar em cima do fato do país ter se tornado, enfim, GRAU DE INVESTIMENTO.
6 – Fim de Expediente vai comemorar 100 programas em março e 2 anos em abril.
7 – Contrariando o Dan, acho que vai dar Kassab em SP e qualquer um, menos a Hillary, nos EUA.
8 - Amy Winehouse fatura tudo no Grammy. A Libertadores terá um campeão brasileiro e o Renan continua no Senado.
9 – As ações sobem. O Ibovespa eu não tenho certeza. Pela primeira vez em 500 anos, ficaria com a Petrobras e venderia a Vale do Rio Doce.
10 - Lula depois de pedir dia, mês e hora para anunciar o fim do caos aéreo, resolve cobrar também o ANO em que isto vai acontecer.
Não serei injusto. A entrevista de Dunga para “O Globo” de hoje tem bons momentos. Como sua descrição sobre os instantes que antecederam a decisão por pênaltis contra a Itália. “[...] já não respirava mais. Estava durinho. [...] Quando comecei a caminhar veio na cabeça: ‘depois de 90 se eu errar a gente não entra no Brasil’”. Mas então, de repente, brota o vírus que se instala, epidêmico, em nossa sociedade. Essa mistura de auto-ajuda, frases feitas e ditados populares de países distantes. E lá vai o velho Dunga descendo a ladeira: “O bom não é a mesma coisa que o bem. Se você está concentrado e um amigo te chama para sair na sexta-feira, a festa é o bom. Mas para o bem do seu time o melhor é ficar de repouso”.
O quadro abaixo, do pintor inglês, foi negociado ontem por US$33,64 mi. Recorde entre artistas vivos. Raro momento de equilíbrio entre valor artístico e valor financeiro.
Foi mais ou menos essa a razão da criação do fundo soberano. Ele será o nosso cofrinho. Tudo que sobrar, que exceder, vai para o cofrinho ...
Imaginem uma casa onde as coisas melhoraram muito, mas muito mesmo e mesmo assim uma das crianças ainda não freqüenta a escola, um dos banheiros não tem água, às vezes falta comida e tem inúmeras contas atrasadas. Nesse cenário o pai resolve que a partir de agora tudo que exceder, que sobrar, vai para o cofrinho ...
A família até concorda, pois não vê, nenhum desperdício nisso e o cofrinho pode ser usado em uma emergência, como aliás, adverte o pai. As questões que passam despercebidas são duas:
a) o pai ou no caso o Governo não trabalha ele só administra o nosso trabalho e se ele não investir na gente como é que a gente vai produzir mais e melhor ?
b) a nossa dívida cresce sob as maiores taxas de juros do mundo. Quanto vai render o dinheiro no cofrinho ?
Evidente que entre criar o fundo e comprar outro avião, criemos o tal fundo. Entre criar o fundo e contratar mais 3000 companheiros, criemos o fundo. Fora isso, é uma grande bobagem um país com tantos problemas ter um fundo soberano pra financiar empresas que podem perfeitamente conseguir isso sozinhas
“[...] ele me respondeu que cada país tem um inimigo contra o qual luta há séculos. Respondi que não tínhamos. E ele me olhou com cara feia, porque um povo sem inimigo é pouco viril. Mas, então, refleti: nosso inimigo é interno. [...] Nossa fragmentação é em 200 mil partidos diferentes. O governo [...] caiu pela mão de seus próprios aliados, não pela ação da oposição.”
Trazendo para a negativa a frase final, o contexto parece muito próximo ao de um grande país, recém guindado a Grau de Investimento.
Passei na vizinha e pedi o a emprestado. Como o vizinho não tinha, tive que apelar pra ela. Voltei pra casa correndo, tinha que pôr o a na janela, na porta e aqui no teclado. Ele chiou, muita correria, mas foi me ajudando. Enquanto isso, peguei a água, e fiz um chá. Tomamos chá, eu e o a, pra relaxar. Papo vem, papo vai, papo bom. Muita historia boa. Foi nesta hora que a campainha tocou. Olhei no olho mágico, era a visinh. Queria o a de volta. Pois bem, antes de abrir, chamei o a, era hora de se despedir. Aí é que tá. O a tinha sumido. E lá vai a campainha tocando de novo. E nada do a. Fui no escritório, nada de a no escritório. Claro. Ele queria descansar, e não trabalhar. Achei o a tirando uma soneca, no sofá. Ali, deitado, parecia um i. Peguei uma coberta e cobri o a, que não é de frio. Fiquei sem saber o que fazer. Ela tocou a campainha de novo, eu então decidi fingir que não estava em casa. Uma hora ela desistiu, encostei o ouvido na porta até parar de ouvir os passos descendo a escada. Liguei a TV e fui ver o jogo. Quando o a acordar, a gente decide o que fazer. Antes do segundo tempo ele apareceu, cara de sono. Mal se despediu, agradeceu o carinho e partiu. té um próxim, disse eu, triste e feliz o mesmo tempo. De volt o mundo sem o .
Estou sem o . Você pode n~o creditr, eu tmbém n~o creditv. Ele pifou, sem mis nem menos. Levei no conserto, flrm que tem que trocr tudo, n~o só o . Que n~o é vírus, é um problem técnico mesmo. chei que ssim n~o poderi escrever, ms resolvi mostrr o problem. Ser'que seri ceito qui sem o ? Posso tentr escrever plvrs sem o , ms cho que n~o cosigo. Vocês est~o me entendendo ssim mesmo? Se fosse o e, ou o i, ou té o o, ms sem o n~o d´. Em todo cso, vou procurr um e logo volto.
É com grande alegria que descubro o lançamento, em nova edição, de “O sonho dos heróis”, de Adolfo Bioy Casares (Ed. Cosac & Naify, tradução de José Geraldo Couto). Impossível descrevê-lo sem o peso do profundo impacto que o romance me causou na adolescência, e de como a tríade formada por Casares, Borges e Cortázar, se mantém, ainda hoje, como parâmetro de escrita.
De três dias de Carnaval, entre 1927 e 1930, as memórias do narrador retiram passagens e tramam, em planos diversos, as histórias de um grupo de amigos, da sociedade argentina, durante a primeira fase do peronismo, e uma truncada história afetiva, numa descrição minuciosa de uma Buenos Aires mítica.
Com uma velha edição em mãos, ensaio, receoso, sua releitura.
Sexta, às 19h, paulistanos e internautas têm um programa diferente: "Fim de expediente", apresentado pelo ator Dan Stulbach e com a participação do escritor José Godoy e do economista Luiz Gustavo Medina.
Durante uma hora e com muito humor, o trio passa a limpo os principais assuntos da semana, com entrevistas, reportagens e a participação dos ouvintes pelo e-mail:
Para quem não agüenta esperar até sexta, de segunda a quinta os participantes do Fim de Expediente "aquecem os motores" no Jornal da CBN 2ª Edição, às 19h15min. Dan, Teco e Zé se revezam fazendo comentários sobre os principais assuntos do dia, numa conversa sempre muito descontraída com o âncora Roberto Nonato.