Consta que no meio dos anos 1960 Tom Jobim bebia com alguns amigos no Veloso quando o dono do bar lhe avisou que havia uma ligação para ele. Dos Estados Unidos. De Frank Sinatra.
Veracidade e folclore à parte, a passagem voltou à minha mente enquanto cortava os parcos cabelos e o senhor ao lado se levantou para atender um telefonema.
Lembrei do tempo em que a vida parecia mais complicada, mas era mais simples. Em que as pessoas deixavam recados na casa das outras, em que se costumava ligar para os lugares de hábito de cada um.
A comunicação uniu o mundo, mas de certa forma apartou a vizinhança. Hoje temos conhecidos em Bangladesh, mas não sabemos o nome do filho do vizinho.
Volto à cena do Veloso. Jobim três doses de uísque acima da humanidade, ouvindo uma boa história do José Lewgoy. Seu celular toca. Chamada não identificada. Jobim nem se mexe. O celular volta a tocar. Uma, duas, três vezes. Ele, contrariado, atende. Um cara fala em inglês. Ele, estupefato, desliga o aparelho. Sinatra, a 10 mil quilômetros de distância, pede pra secretária ligar pro Burt Bacharach.
O artista plástico e curador do Museu Afro Brasil, Emanoel Araujo, é o nosso convidado. Mande sua pergunta ou participação para fimdeexpediente@cbn.com.br, ou através deste post.
Vai ser o meu destaque hoje, porque faz parte das coisas que eu não entendo nesse mundo. Quando, por exemplo, o Bush chega na Holanda, os manifestantes holandeses pintam e destroem Amsterdam. Entram em conflitos com policias holandeses e quando alguém não se machuca e vai parar no hospital, alguém vai parar na prisão, holandesa. Sempre que vejo essa cena me pergunto que idealismo é esse? Claro que grande parte dos manifestantes está de Nike ou All Star, quando não tem o hábito de ouvir seu Ipod e ver o Oscar. O que eles ganham destruindo a própria cidade ?
O lance da tocha é o mais recente. Vamos por partes: A China existe há 600 mil anos e tudo o que ela faz de errado, que não é pouca coisa, ela já faz há décadas. Claro que não defendo o silêncio, mas por que a população não boicota os produtos chineses, exige o fim das relações comerciais ? Por que não passam o ano em frente as embaixadas da China mundo a fora ? Por que não proíbem seus times de futebol de excursionarem ou venderem camisas para os chineses ?
Agora pergunto eu: Faz sentido uma cidade como Buenos Aires parar e colocar 5.000 seguranças nas ruas para evitar que alguém "machuque" a tocha ?? Tudo bem que a tocha é um símbolo das Olimpíadas, mas não parece bobo a população de um país brigar com a polícia do mesmo país pelo direito de apagar um objeto ? Quantos desses manifestantes compram roupas Made in China ? Quantos deles sustentam o trabalho quase escravo e alimentam as indústrias que mais poluem no mundo ?
Outra pergunta: Faz sentido exigir que os atletas não disputem a competição mais importante de suas vidas, porque será em Pequim e "aceitar" calmamente que suas lojas de departamentos ofereçam 80% de produtos feitos na China ?
Acho lindo os protestos em defesa dos direitos, mas bater em policial inglês e depois ir comprar coisas no camelô na beira do Tâmisa, me soa esquisito
Eu gosto da Madonna. A cantora. Que está lançando um novo disco. Mas não vou fazer nenhuma tese sociológica sobre o novo papel da mulher, nem um tratado filosófico-erótico sobre as mudanças dos ícones sexuais do mundo contemporâneo. Gosto da música, de alguns discos, especialmente de “Erotica”, com seus sonzaços “Deeper and Deeper” e “Fever”, e de “Bedtime stories”, prenúncio do inferno lounge que nos assola. Gosto demais da colaboração com o Massive Attack, no tributo a Marvin Gaye, “Inner city blues”, em que ralentando o tempo de “I want you”, trazem à canção um desespero que a versão original não possui. (Abaixo reproduzo um trecho, um bom e longo trecho dela).
Conta a mitologia que Sísifo foi condenado a empurrar uma pedra morro acima. Uma pedra, diga-se de passagem, que insistia em rolar morro abaixo.
Pois penso que Sísifo mudou de penitência. Ele está aqui, entre nós, bem no coração de São Paulo.
Hoje entreguei meu suor para observá-lo.
Peguei uma linha de ônibus que serve ao Incor, ao Hospital das Clínicas e ao Hospital da USP (não venham me ironizar, não se trata de uma linha especial para hipocondríacos).
A especificidade do trajeto começa por sua demografia. O ônibus está sempre lotado, independente do horário. Além dos enfermos a linha atende a pessoas com necessidades especiais, o que faz da população que sacoleja em seu interior, uma espécie de pronto-socorro em movimento.
Obviamente ninguém está preparado para isso. Os pontos estão lotados, o fluxo dos que entram compete com o fluxo dos que saem, pois todos usam a mesma porta. Há um espaço para os cadeirantes, mas o cobrador que deveria orientá-los está encoberto por um mar de gente. Por fim há o suor coletivo, que lubrifica as relações humanas, pois a cidade é quente, úmida, poluída, e todos convivem de forma demasiadamente próxima.
Tudo foi feito para dar errado, mas nosso Sísifo invisível evita a catástrofe. Rezemos para que ele não se canse, e clamemos para que ele nunca seja perdoado, pois acreditar que possamos viver sem o seu auxílio, não passa de uma piada de gosto duvidoso.
Uma coisa já é certa no caso Isabella: delegado e promotor não estão preparados para lidar com o nível de repercussão de um crime como esse. Fazem em público comentários que exigiriam bom senso e discrição. Não resistem à tentação do enxame de microfones que os cercam. Usam seus 15 minutos de fama para o desserviço público.
Barrichello diz que ainda pode ser campeão em 2008
Folha de S.Paulo
Há 20 corridas sem marcar pontos, Rubens Barrichello disse ontem que ainda pode ser campeão do mundo. "Cheguei aqui e falei para a chefia: "Me dêem um carro que serei campeão'", falou o piloto da Honda, 11º colocado no Bahrein, sua melhor colocação até agora na temporada.
Como é bom vermos os otimistas se pronunciarem ...
Amanhã sai o IPCA de março. Simples assim: se vier alto, os juros sobem semana que vem; se vier normal, talvez os juros subam semana que vem; se vier muito baixo, temos esperança de não subir semana que vem.
O certo é: os juros vão subir e os financiamentos vão ficar mais caros.
Prossigo em nossa conversa sobre o automóvel e a cidade.
Os comentários no post sobre Santiago me pareceram tão interessantes, que penso que devamos ampliá-lo.
Maria Fernanda, direto da capital do Chile, nos trouxe sua perspectiva de usuária (se tiver equivocado que ela me corrija, mas acho que o sistema ainda está em via de implantação, o que deve – deveria – melhorá-lo).
Sigo.
É ponto indiscutível e apontado por todos os comentários que a questão do trânsito não é meramente um problema do sistema de transportes. Aspectos culturais, urbanísticos, somados às nossas conhecidas fragilidades educacionais, nos levaram a esse caos. O assunto é tão complexo que o mero fato de seccioná-lo numa secretaria do município ou do estado, já demonstra a incapacidade do poder público de compreendê-lo.
A relação do paulistano (brasileiro) com o automóvel, mais do que o simbolismo que embala originalmente esta máquina (a liberdade do indivíduo, o desejo de ir e vir multiplicado pelo deslocamento espacial), é um fator de diferenciação social. O carro torna-se a casca (ou o casaco) com que nos cobrimos para as relações sociais, e com a ampliação da possibilidade de adquiri-lo, atinge todas as faixas sociais. Note-se que no Brasil seguimos com um déficit habitacional alto, ao passo que na cidade de São Paulo, a relação automóvel/passageiro aproxima-se da equanimidade.
Desse modo, não me causa estranheza que a população tenha aceitado por anos a fio as péssimas malhas viárias e os engarrafamentos. Não me causa estranheza, que a maior permanência de exposição da máquina que se quer exibir (mesmo que parada em enormes congestionamentos) seja aceita, como tem sido em nossa cidade. Assim como também não me surpreende que numa cidade com renda média na faixa dos 1000 reais, haja uma explosão de financiamentos de veículos, com parcelas correspondentes a 30% ou 40% desta renda.
A máquina substituiu em nossa sociedade o bem estar. A máquina impetra um mecanismo, há muito introjetado, de inverter seu propósito original. A máquina ganha aspectos sensoriais (um toque de pára-choques dói um nervo exposto), enquanto a carne que o preenche se mecaniza, preenche os espaços da sensibilidade de uma estranha oxidação. Mutação de zinabre.
Além da tragédia da semana passada, meu fim de semana foi de alguns lamentos. Primeiro a constatação de que Cazuza faria 50 anos no sábado. Esqueci de levar o cd para o programa, vale a homenagem com atraso ? Sempre me pergunto que tipo de música e que tipo de cd fariam Cazuza e Renato Russo em 2008, caso estivessem vivos.
Sábado à noite, tinha uma festa e tinha um neném que chorava. Resolvi poupar a festa dela e acabei ficando em casa vendo tv. Descobri no sábado o porque da taxa de natalidade no Brasil ser tão alta. Se você fica em casa num sábado à noite e liga a tv, ou você se mata, ou faz um filho !!!! Na impossibilidade de ambos, acabei acompanhando passo a passo o MISS SÃO PAULO. Exato Srs, eu acompanhei o MISS SP !!!
Na verdade a idéia era ver apenas 5 minutos, mas diante da surpreendente performance da Miss ARARAS, fui ficando até o fim. Minha "guerra" era contra Miss Cotia e contra a Miss Jaboticabal (por razões de piadas). EIs que a Miss Araras acabou em segundo e fiquei louco ao descobrir que a Miss Caieiras na verdade não é de Caieiras e nem de São Paulo, ou seja, a Miss São Paulo é mineira !!! Como deixam isso acontecer ?? Vou mandar um email ao Prefeito de Araras, exigindo providências ...
Ontem fui ao Morumbi. Que chuva, que frio !!!! que tristeza ver no placar os gols do Noroeste ... Que venha o Palmeiras, como diria o Zé Godoy, chegou a hora de separar os meninos, dos homens.
Foi em meados do século XVI que o espanhol Pedro de Valdivia (só para registro o meia do Palmeiras, apesar de chileno, nasceu na Venezuela) fundou Santiago do Chile, à custa de muita pancada nos índios mapuches.
A cidade cresceu, cresceu e consta que hoje a Grande Santiago tenha cinco milhões de habitantes, que por conta de uma geografia muito específica, enfrentam sérios problemas ambientais, além das agruras que cercam toda grande aglomeração humana.
Mas por que eu estou contando isso?
Basicamente porque esta grande cidade, que por maior que seja corresponde a um quarto da grande São Paulo, resolveu tomar medidas drásticas no sentido de melhorar seu serviço (ineficiente) de transporte público.
O projeto se chama Transantiago e soma os esforços do poder público, em todas as suas esferas, e a iniciativa privada. Como todo grande projeto gerou polêmica e enfrentou dificuldades para ser aprovado. Como todo grande projeto é questionado e denúncias de favorecimento e corrupção já foram divulgadas. Mas, como todo grande projeto para uma grande cidade, precisa ser feito.
Grosso modo, dividiram a área da cidade em zonas, distinguidas por cores, com diferentes tipos de veículos (ônibus, sanfonados, trens) para atender os diferentes traslados (dentro das zonas, entre as zonas).
O que mais me chama atenção é a possibilidade de um leigo, de um cidadão comum de visualizá-lo, de entendê-lo através de um mapa. Era isso que eu tentava explicar para um conhecido belga, de passagem por São Paulo, quando ao entrarmos numa estação do metrô, tive que trazê-lo à nossa absurda realidade de cada dia, ao informar que os mapas espalhados pela estação eram fictícios: descreviam uma cidade ainda não construída, que um dia seria atendida por uma enormidade de linhas inexistentes.
Traduzir poesia é se deparar em vida com o impossível. Não há aproximação que cole campos semânticos, culturas e expressões próprias num molde novo. A quem se dedica a essa tarefa inglória restam dois caminhos: a reinvenção ou o naufrágio. Traduzir poesia é escrever a partir de um texto alheio, não sobre um texto alheio. Assim me parece fundamental a existência de edições bilíngües, em que se possa ter o original e a aventura da tentativa de transformá-lo, lado a lado.
Com essas idéias em mente valorizo a Editora UnB por sua coleção “Poetas do mundo”. Pequenos livros a preços acessíveis com poetas imensos e de apelo restrito ao público. Há Francis Ponge, com “A mimosa”, Czeslaw Milosz com “Não mais”, há cummings, com “O tigre de veludo”, que folheio em minhas mãos.
A edição traz uma apresentação interessante sobre o poeta, capaz de situar em poucas páginas sua obra, biografia e aspectos principais, secundado de uma edição com poemas recolhidos de várias de suas obras.
Em minha opinião as traduções ficam muito aquém do esperado, mas talvez como exercício didático auxilie o leitor na leitura dos originais.
Abaixo reproduzo um trecho do “Tigre de veludo”, na tradução de Mario Domingues (a quem se interessar posso fornecer a versão original do poema).
7 curto meu corpo quando junto ao teu corpo. Isso sim é algo de novo. músculos melhores, mais nervos. curto teu corpo,curto o que ele faz. curto teus comos. e sentir a espinha, curto teu corpo até o osso,tremida -firme-lisa mente e que eu de novo de novo e de novo beijarei.
O que mudou ?? Desde ontem o mercado financeiro está mais leve. Parece que teve uma noite agradável em um bom restaurante ou assistiu ao novo filme da Scarlett. Agora, de fato, o que mudou nessa semana ??
Desde o final do ano passado, várias autoridades, têm pedido para que os bancos divulguem logo o tamanho de seus prejuízos e o tamanho de suas posições no mercado hipotecário americano. Por que isto é importante ?
O mundo inteiro já sabe que tem um problema nos EUA. Pessoas não estão conseguindo pagar suas hipotecas e isto vai fazer alguns bancos terem prejuízos. Como o mercado imobiliário é muito importante, esse desaquecimento nele, além de derrubar os preços dos imóveis, será capaz de desaquecer a economia, podendo levá-la inclusive à recessão. Esse desaquecimento vai aumentar o desemprego e o pepino de fato está instaurado. Isso não tem como ser arrumado no curto prazo. Bons ventos apenas em 2009, se tudo der certo.
O grande caos disso tudo e a razão pelas turbulências no mercado financeiro derivam de problemas no mercado de crédito. O mundo vive de crédito. As empresas, os países e as pessoas movimentam a economia emprestando e pegando emprestado dinheiro. O que acontece no mercado de ‘emprestar dinheiro” quando você descobre que boa parte dos participantes pode estar “quebrado”, mas você não sabe quem é ??? Você ou aumenta muito as taxas para conceder empréstimos ou você simplesmente para de emprestar porque não quer ficar com o “mico” na mão.
Com os bancos assumindo suas perdas e expondo seus problemas, o mercado de crédito vai voltando ao normal, com os “emprestadores” sabendo exatamente seus riscos e retornos nas suas operações. Se isso acontecer rapidamente, os problemas viram O problema e o Presidente Bush que se vire com sua crise ...
Nunca fui com a cara do Joaquin Phoenix. Acho que em muito por conta de “Gladiador”, em que via certa canastrice em sua interpretação. Passei anos com essa opinião, embora, por diversas vezes tenha sido alertado por bons amigos de que estava sendo injusto. Em “Johnny e June” mantive o pé atrás, fincado naquele território nebuloso em que as cinebiografias me hospedam, me perguntando “ele está imitando o Cash, é isso que faz dele um grande ator, o poder de imitação?”. Mas com o recém-lançado “Traídos pelo destino (Reservation Road)” finalmente me rendi. Phoenix é um grande ator, e o que li como canastrice penso que seja insanidade, talvez um dos últimos doidos que Hollywood mantém em seus elencos (na categoria não entram comedores de placenta e afins).
“Traídos pelo destino” é um bom roteiro, mas antes que você me acuse de ter estragado o seu sábado é um drama. Portanto não assista se você não gosta do gênero, se não gosta de incômodo, e se tem pavor de ver crianças em apuros. Mas se você ainda vai ao cinema para ver ótimos atores em grandes performances, esse é o filme certo. Além de Phoenix, Jennifer Connelly está soberba (aliás, já repararam que tremenda roubada é fazer parte da sua prole no cinema?). E formam um casal em que só um diretor com sensibilidade como Terry George, de “Hotel Ruanda” é capaz de apostar.
O blog não dá estrelinhas aos filmes, nem tem um bonequinho que bate palmas. Mas a dica está dada.
Estava na esteira do clube. Corria numa velocidade maior do que os carros nas Marginais. Enquanto corria, passava uma matéria / entrevista na tv sobre a carreira do Romário.
Era um dia especial. Um domingo ensolarado, onde ele teria a chance de marcar o MILÉSIMO gol da carreira contra o Botafogo no Maracanã. Sempre fui fã dele e se aquele era um dia especial pra ele, seria um dia especial pra mim também.
Cheguei em casa suado e profetizei à minha esposa: Vamos fazer a Manuela hoje !
Ela me recebeu com o mesmo descrédito de todos quando julgam que estou falando uma bobagem e disse que nem estávamos tentando ou pensando nisso ainda.
Expliquei a teoria dos 1000 gols do Romário. No dia em que ele faria o milésimo gol, eu faria a primeira filha.
Lógico que foi difícil entrar num clima romântico depois de todo esse papinho futebolístico, mas o que de fato importa, é que 60 dias depois quando o Romário enfim fez o milésimo gol contra o Sport, ela já estava grávida de 2 meses.
Post do início do ano, sendo reavaliado após o primeiro trimestre ...
ïtens 1,2,3,4,6,7,8 já abri a champanhe
1 - Enfim acabou o efeito pré - COPOM. Os juros aqui não se mexem mais até julho. Caso se mexa, será para cima.
2 – Os juros seguem subindo na China e seguem caindo nos EUA. Até julho, com certeza.
3 – O dólar vai ficar entre U$1,70 e U$ 1,85. Se sair, sustentavelmente, desse patamar, será pra cima também.
4 – O Imperador arrebenta no São Paulo. O Leão arrebenta com o Santos e o Corinthians continuará a cavar seu poço.
5 - O Governo viverá bem sem a CPMF e se ele conseguir por 3 ou 4 meses, não pronunciar a frase “redução do superávit primário”, poderá faturar em cima do fato do país ter se tornado, enfim, GRAU DE INVESTIMENTO.
6 – Fim de Expediente vai comemorar 100 programas em março e 2 anos em abril.
7 – Contrariando o Dan, acho que vai dar Kassab em SP e qualquer um, menos a Hillary, nos EUA.
8 - Amy Winehouse fatura tudo no Grammy. A Libertadores terá um campeão brasileiro e o Renan continua no Senado.
9 – As ações sobem. O Ibovespa eu não tenho certeza. Pela primeira vez em 500 anos, ficaria com a Petrobras e venderia a Vale do Rio Doce.
10 - Lula depois de pedir dia, mês e hora para anunciar o fim do caos aéreo, resolve cobrar também o ANO em que isto vai acontecer.
Como já foi divulgado no programa da última sexta, no dia 25 de abril de 2008, o FDE comemora seu aniversário de segundo ano. Para compartilharmos esta data importante com os ouvintes faremos uma promoção com a “pergunta da semana”.
Se você quiser participar, basta enviar quantas sugestões quiser de perguntas para o e-mail fimdeexpediente@cbn.com.br, até o dia 14/4, junto com seu nome e telefones de contato (celular, fixo).
Os dois ouvintes que enviarem as perguntas mais criativas serão contemplados com passagem para São Paulo (se for de outra localidade), estadia em hotel (mesmo se for paulistano e quiser passar pela experiência) e acompanhar os bastidores antes do programa, tudo com direito a um acompanhante.
O resultado da promoção será divulgado no dia 18/4, por este blog e durante a apresentação do programa.
No meio do show, peço para uma moça que nunca havia visto, para tirar uma foto com o Seal e para me mandar por email. Eis que o segundo milagre acontece.
Um dia eu conto a história deste projeto. O lançamento da última parte das dicas do Sr Alceu será nesta terça, na Saraiva do Shop Paulista. Estão todos convidados !
Hoje, dia 28 vamos fazer o programa 100. No começo, uma espécie de "jogral", completando a palavra "cem/sem" com outra sugerida por você. Por exemplo: "noção". Sem noção. Escreva a sua nos comentários, e seja bem vindo, que é e será só o começo.
Hoje revi o velho pitbull que cheira a almíscar. Os olhos tristes, detrás da focinheira de metal, um Hannibal Lecter canino. Sem os olhos altivos de Lecter, sem sua astúcia, suas sutilezas. Apenas a loucura de Lecter, que o velho animal desconhece em si mesmo. Seu cheiro é forte como o de um boi pronto ao abate. É o que vejo no rosto irascível de seu dono. A morte que se avizinha. Vejo mais. Vejo o assassino em potencial, pronto a guardar em potes bem cuidados, aquele cheiro.
Ia ser assim a minha noite: Fazer minha filha dormir, ver o JN, torcer no jogo do peixe x gambás na tv com pipoca de microondas e queridos amigos na madrugada.
Minha cunhada me liga: Teco, tem dois convites aqui no banco na área vip, primeira fila, tudo incluso para assisitir ao show do Seal. Sabe de alguém que quer ir ?
Adeus jogo dos gambás, pipoca de microondas e queridos amigos. Aconteceu um milagre !!!
Entre janeiro de 2007 e fevereiro de 2008, os candidatos à sucessão de Bush arrecadaram conjuntamente 814 milhões de dólares. Até o final deste mês, segundo analistas, a soma deve atingir 1 bilhão de dólares.
"Os EUA estão realmente dando um grande passo à frente em termos de gastos nas suas eleições", disse Steve Weissman, do Instituto de Finanças de Campanha, entidade de pesquisas ligada à Universidade George Washington.
Weissman disse que os três principais candidatos --o republicano John McCain e os democratas Barack Obama e Hillary Clinton-- estão arrecadando juntos pelo menos 100 milhões de dólares por mês.
Para efeito de comparação, sete países africanos (São Tome e Príncipe, Guiné-Bissau, Gâmbia, Comores, Seicheles, Libéria e Djibouti) têm individualmente um PIB inferior a 1 bilhão de dólares, segundo dados do Fundo Monetário Internacional (FMI).
Conclusão: Se os três abrissem uma conta conjunta no Itaú, eles seriam mais ricos que sete países e toda a sua população. Faz sentido gastar essa dinheirama toda em santinho, camiseta, bottom ???
Eu e o Zé somos responsáveis por 90% do que é postado nesse blog. O Dan, tirando, as músicas do REM e as fotos, deve ter média de um post por mês.
Um desses posts, foi o polêmico email trocado com o Dualib, que na época rendeu um número recorde de visitas.
Essa semana, o chefe, o mago, voltou com o golpe de postar uma música e passeando pelo blog, descubro que teve 70 comentários (até agora) e que ontem, quase 1000 pessoas passaram por aqui.
O leilão da Cesp foi cancelado hoje. Serra disse que não venderia a empresa a preço de banana, nem na bacia das almas.
Avaliei bem essa informação e devo concordar com nosso Governador. Eta povo muquirana esse. Nâo quiseram gastar R$ 7 bilhões na Cesp, cuja as concessões encerram-se em 2015 e o Governo não conseguiu renová-las.
Muito estranho os investidores perderem essa barganha, não acham ?
Confesso que escondi o Mirabel de um colega na quarta série
É o fenômeno Paterson. Vamos todos nos confessar, contar nossas vigarices, as pequenas trapaças do nosso dia-a-dia. O novo governador de Nova Iorque veio para nos salvar. Traiu, cheirou, fumou. Ó pecados da carne! Transformai a política num local sagrado, onde a mentira nunca mais será aceita. Espiai nossas culpas, Paterson. Espalhai pelo mundo o Estado-confessionário. Mas não, não Paterson! Não inspirai seus colegas brasileiros, estes, meu caro, não sabem o que fazem.
Hoje, para quem puder assistir, vai ao ar um capítulo muito especial de "Queridos Amigos". É uma sequência bem legal. Depois eu conto melhor como foi feita.
O Dan me perguntou e uma ouvinte, com razão, disse que não expliquei direito. Então aqui vai a explicação completa.
O que é ?
Commodities é uma palavra inglesa que significa mercadoria, mas no mercado financeiro é utilizada para indicar um tipo de produto, geralmente agrícola ou mineral, de grande importância econômica internacional, já que é amplamente negociado entre importadores e exportadores. Por serem negociadas globalmente as commodities seguem uma padronização que facilita a compra e venda de contratos em qualquer lugar do mundo.
Também serve para ...
As commodities são uma forma de investimento, uma opção entre tantas opções de investimento no mercado, como poupança e fundos de investimentos. São realizados através do Mercado de futuros.
Por que estão na moda ?
Porque hoje se tornaram o jeito mais fácil e rápido de sabermos como vai o crescimento mundial. Com essa crise nos EUA, imagina-se que o preço das commodities deva cair, já que os EUA são os grandes consumidores, principalmente de petróleo, logo pela lei básica de oferta e demanda, se a demanda cai e a oferta continua igual, o preço deve cair.
Onde foi que deu tudo errado ?
Para variar tudo isso deixou de ser tão simples a partir da entrada de fundos e bancos nesse mercado. Hoje além de compradores e vendedores naturais de commodities, temos também investidores e especuladores neste mercado. Isso significa que a regra central entre oferta e demanda, passou a incluir um componente de fluxo especulativo, com fundos comprando e vendendo contratos e alterando o caminho natural dos preços.
Por que essas oscilações mexem com a Bovespa ?
Simples. Porque cerca de 55% do Ibovespa é composto por empresas que negociam commodities (ex Petrobras, Vale e Siderúrgicas)
O que isto importa para o país que não investe em ações ?
Importa demais. O país é um dos principais produtores mundiais de commodities. Em 2006 e 2007 tivemos o cenário dos sonhos que foi demanda aquecida e preços altos e isto se refletiu num recorde comercial e num crescimento de 5.4% ano passado. Se os preços abaixarem muito ou a demanda cair muito será muito ruim para nós.
E o que você acha que vai acontecer com as commodities ?
Acho que vão oscilar horrores, principalmente por causa dos fundos e dos bancos , e irão terminar o ano em patamares altíssimos com a demanda fortíssima, principalmente as commodities agrícolas.
Vendo hoje o jogaço entre Manchester e Liverpool. O gol de Nani, a imagem em câmera lenta, atrás da meta do Liverpool, a torcida, senhores e senhoras, algumas muito idosas, de bochechas rosadas, urrando, a imagem quase paralisada, como se fosse possível, e nesse caso é, tornar a euforia quase palpável, lembrei-me do dia 16 de dezembro de 1990. Um dia em que um eu magrinho, junto a um Dan cabeludo, seguimos num fusca branco em direção ao Morumbi. Um dia em quase morremos três vezes, pelas razões mais distintas. O dia em que não encontramos quem deveríamos encontrar, mas que por outro lado, entregou nossa orfandade à companhia de órfãos como nós, sedentos por uma alegria, tão efêmera e intensa, como só o futebol pode ser. E (preste atenção, pois a imagem precisa se formar na sua mente vagarosamente) naquela jogada feita sob medida às nossas aflições, desenhada com o esmero que apenas um deus grego é capaz de ter, em que a meta defendida por Zetti foi invadida e derrubada pelo exército de Brancaleone em preto e branco, até que essa espécie de Cantinflas que vire e mexe ressuscita no futebol, batizado, dessa vez, como Tupanzinho, venceu a linha derradeira, e o mundo andou devagar, como se um Superhomem em dúvida retardasse sua rotação. Eu e Dan, até então lado a lado, fomos engolfados por uma onda de prazer, que fez de nós, gêmeos xifópagos, sermos seccionados em duas metades, uma negra, outra alva, de um mundo banhado em êxtase, que enfim nos entregou toda a fantasia da felicidade eterna, inscrita em relevo, naquele segundo.
Quando a noite chega, pouco ou nada mais. Lembro-me. De quê? De quem? Não quero contar, não contei. Era preciso uma música e um cálice, meio cálice, de uma bebida. Qual? Uma bebida como o absinto, mas sem ser o absinto. Com a cor do absinto, mas sem, como direi? A sua potência. Assim me parece melhor. Com a cor do absinto, sem sua potência, mas preservada a decantação em ab e sinto. Bem agora pareço me aproximar. Pois quando a noite chega, eu sinto um ab ismo bem aqui onde deveria ser o centro do meu peito. E andar não resolve, e flanar descompassado também não. Um filme não resolve, nem mesmo um grupo de pessoas, reunidas, falando em voz alta, no apartamento ao lado. Talvez uma música resolva. Mas tenho medo. Medo de que a música seja maior do que imagino ser. Que o coquetel de Marvin Gaye e Curtis Mayfield me mate. Me mate com as mesma armas que usei para me manter vivo. Ou ainda pior. Que eu me apaixone perdidamente pela mesma mulher. E? E reproduza como um autônomo o conselho que o pacote de açúcar União me entrega, sem que peça. E isso, não me apaixonar pela mesma mulher, pois isso é tudo o que resta, mas obedecer a um pacote de açúcar numa noite como essa, eu sinto dizer, é demais pra mim.
Parei meu carro na casa do Dan e eles desceram. Resolvemos ir todos a pé para a CBN. No meio do dia, de camisa e gravata ...
Eram duas as piadas no caminho: Éramos vendedores de imóveis ou éramos os seguranças daquele ator da Globo.
Chegamos ao estúdio da CBN e todo mundo perguntava o que fazíamos lá e porque estávamos de gravata.
Gravamos o piloto do programa. Achamos que ficou legal, mas que podia ser melhor. Fomos comer uma pizza de berinjela e conversar sobre os planos. Será que vai vingar ?? Será que vai ficar legal ??
Era uma época em que coisas estavam acontecendo. O programa foi mais uma delas.
Ando de olho em Julie Delpy há muito tempo. Provavelmente desde “A igualdade é branca”, do Kieslowski, ou talvez de “Um lobisomem americano em Paris”.
Mas foi com “Antes do amanhecer” que descobri nessa francesinha bonitinha, muito mais do que uma francesinha bonitinha. Havia ali uma artista de talentos múltiplos com capacidade de exercê-los simultaneamente.
É esse o caso de “2 dias em Paris”, filme em cartaz em São Paulo. Em que Julie além de escrever e dirigir, atua, compõe a trilha, escala seus pais como seus pais e outras coisinhas mais.
Julie vence o difícil desafio de sucumbir à egolatria que pode cercar trabalhos tão autorais, trocando o individualismo pelo processo colaborativo. Com atores escolhidos a dedo dá vazão a uma rara facilidade de escrever bons diálogos. Curtos, inteligentes e certeiros, principalmente quando se dedicam a dissecar a rotina das relações, nossas pequenas e irritantes manias, inseguranças e as sobras de nosso passado pra lá de imperfeito.
Tendo como o par o excelente Adam Goldberg, Julie consegue criar um dos casais mais deliciosos do cinema recente, que eleva à potência máxima o genial axioma que Jerry Seinfeld e Larry David transformaram num mantra: “escrever sobre o nada”.
Um nada tão interessante que Paris não passa de figurante.
Vejo minha filha chorando e penso se ela é tricolor ou se ela tem dinheiro em ações.
O que me irrita no mercado é como a mesma notícia, um dia provoca euforia, outro dia provoca pânico. Hoje foi a queda do preço do petróleo. Amanhã será a alta ...
Bom mesmo é acompanhar o índice de congestionamento. Constante. Oscila entre 140km e 180km. Sem volatilidade, sem sustos, sem pênaltis.
Tentando traçar um paralelo do meu dia a dia, seria como se seu restaurante, um dia estivesse com 2 horas de fila e no outro dia, completamente às moscas. Sua peça na quinta fosse apresentada para 500 pessoas e na sexta para 5. Tudo isso sem que nada acontecesse de diferente.
Agora é assim: a bolsa um dia explode, um dia desaba; meu time um dia joga mal outro dia joga bem mal, minha filha um dia ri, outro dia chora. Bom mesmo é o trânsito, sem mistérios, sem dúvidas, constante ...
Há quatro anos fiz 33 anos. E por uma série de coincidências ou não, tive a chance de reiniciar a vida. Foi um pacote de mudanças que precisava ser feito, mas que por muito tempo não soube como fazer. Na época pensei no simbolismo dos 33 anos nas religiões. A morte de Jesus, a iluminação de Buda. Muitas vezes quando não há uma explicação racional procuramos traçar associações, mapas onde histórias bifurcam. Boa parte da vida é sondá-la, tê-la por segundos em nosso campo restrito de entendimento. O engraçado é que em meio à sucessão de mortes e renascimento que marcaram os meus 33, lancei um disco, que como tudo que fez parte da minha vida naquele momento foi deixado pra trás. Não porque eu quisesse, simplesmente porque as coisas simplesmente são. Subimos num palco eu, o Kim e o Alja, mais a nata do hip-hop paulistano. Éramos o Lester, e ali naquele momento, o que parecia um começo, era o fim. Vida segue, quatro anos nas costas, mas a memória ainda pode ser um rio de fluxo invertido.
Abaixo “Sapos y culebras”, com a luxuosa participação de Thaíde.
As inscrições para o próximo programa começam na sexta próxima, dia 21. A única forma de inscrição é através da página da CBN, pelo link que será ativado. Não mande e-mails, pois a mensagem automática será:
Sua mensagem foi recebida com sucesso e será encaminhada à produção do Fim de Expediente.
Não faça sua inscrição por este e-mail para assistir ao vivo ao Fim de Expediente na Livraria Cultura do Conjunto Nacional.
Apenas as inscrições feitas pelo site www.cbn.com.br serão aceitas. As inscrições para o programa do dia 28 de março serão abertas no dia 21.
Sou um aficionado pelas colunas que os jornais publicam com matérias de 50 anos atrás. Dá a clara sensação da relatividade do tempo. Mais. De nossa incapacidade de perceber e modificar rumos. A deste domingo da “Folha” é um primor. Reproduzo-a abaixo:
“Há 50 anos
Vereadores vão à Câmara apenas pelo jeton
Poucas sessões conseguiram obter o quórum mínimo, de 16 vereadores, neste ano. Muitos comparecem só para marcar o ponto e receber o jeton, de Cr$600. Ontem, enquanto um vereador discursava, só três assistiam à sessão. Quando o presidente fez a chamada, 13 apareceram. (‘Folha da Tarde’, 11/3/1958)”
Não sei se uma parte do dinheiro que entra no meu bolso tem a ver com o trabalho de um chinês. Prefiro pensar que não. Prefiro não ter nenhuma espécie de contato, mesmo que secundário, com essa ditadura que criou um sistema político com as piores partes do socialismo e do capitalismo.
Um país que acaba de bloquear o youtube e o Google news, tentando esconder as atrocidades cometidas no Tibete. Que bane a atriz Tang Wei da mídia, por protagonizar um filme em que se despe. E que polui de modo compulsivo, a ponto de oferecer riscos aos atletas que disputarão suas Olimpíadas, merece toda espécie de repúdio.
Ao mesmo tempo é na arte, terreno a que não deveriam ter acesso os governos, que reside uma fagulha que ainda pode levar essa civilização complexa, que se abre para o mundo, a um desfecho menos catastrófico do que esse que se desenha a cada dia.
O link abaixo lhe leva a conhecer o impressionante trabalho de Cai Guo-Qiang, artista chinês premiado na Bienal de Veneza de 2001.
Bolsas derretendo, dólar derretendo e 163 km de trânsito na cidade. Agora eu acompanho esses 3 indicadores !!!!
Podia ser pior. Você podia ser são paulino e acionista do Bear Sterns. As ações do Bear Sterns, quinto maior banco de investimentos dos EUA, cairam de 165 U$ para 30 U$ na sexta. Ontem o banco foi vendido por U$2, ou seja, quem comprou as ações na sexta, achando que estava fazendo o melhor negócio da vida, começa a semana com 90% de perdas.
Quanto ao São Paulo, digo que empatamos o jogo no tempo normal e perdemos por 3 x 0 nas disputas de penalty.
Quanto ao restante da semana, tem São Paulo na Libertadores, reunião do FED e recorde de congestionamento na próxima quinta-feira.
Hoje faz 3 meses de um dia pra lá de inesquecível. Uma maluquice lembrar como era a expectativa de vê-la, como foi a sensação de olhar pra ela pela primeira vez e agora dar uma aperto na barriguinha dela, ao vivo e em cores.
Uma das coisas que tenho descoberto com a paternidade é a constante e dúbia sensação de saudades e ansiedades ... Tenho saudades de tudo que "acabei" de fazer e muita ansiedade para descobrir qual a próxima coisa que ela vai aprender. Acho que isso não acaba nunca.
Quando ela nasceu, também era um domingo. Nas capas dos jornais havia destaques para algum jogo de futebol e alguém comentando a crise nos EUA. Se lembrar bem, vou achar mais coincidências entre os assuntos de hoje com esse domingo de três meses atrás. Olho pra ela e percebo como ela já mudou, como ela já cresceu e sempre fico me perguntando como é possível alguém "acabar" comigo dando apenas um sorrisinho ...
Foi se o tempo que o grande evento do domingo era um jogo de futebol e a grande notícia do dia era a queda das bolsas. Agora em primeiro lugar, disparado, vem a gargalhada da Manuca, quando eu pergunto pra ela quem é o amor do papai ...
Esse é o tipo de lista mais chavão que se faz por aí. Mas como diria o saudoso Itamar Assumpção, “chavão abre porta grande”. Acontece que eu tô com uma insônia brava, e como todo mundo sabe, essa história de lista ou nasceu de um insone ou de alguém hiper-endorfinado por uma sessão de aeróbica. Assim sendo, eu que não sou bobo, trato de imaginar minha ilha antes de pôr os pés nela.
O problema é que a fantasia da ilha deserta acabou com o seriado “Lost”. Depois de tudo que já foi descoberto naquele fim de mundo, inclusive que algum empreiteiro paulista já havia construído por lá um condomínio horizontal, com “espaço gourmet, clube privativo e recreação para as crianças”, fica difícil se imaginar debaixo de um coqueiro, comendo coco, pescando peixe, e dando umas bitocas na Brooke Shields.
Só me resta assim imaginar a ilha como um refúgio, como uma dádiva e não como uma penitência. As regras são claras, uma espécie de “caminhão do Baú da felicidade”. Só posso levar o que eu quero, e deixar o que me atravanca a vida pra trás.
Como eu sou modesto, me contento com um sobrado, dois quartos. Os equipamentos básicos são uma rede de dormir, um freezer, uma churrasqueira com grelha, um par de sungas, meia de dúzia de camisetas regata, um par de havaianas, um bom chapéu e meu toca discos. Ah... e cem toalhas brancas!
Como eu vou pra lá de lancha, só me deixaram levar dez disquinhos e se você quiser conhecê-los é só seguir lendo este post.
Levaria um do Chico, talvez “Sinal fechado”, que tem “Lígia”. Ouvir o Chico, não sei por que, me dá uma vontade de tomar cerveja e me deixa emotivo pacas. Acho que tem a ver com uma entrevista que eu vi com ele, quando contava uns dez anos, em que o filho do seu Sérgio tava pra lá de Bagdá.
“Urubu” e “Matita Perê” do Tom eu também levaria. Pra poder falar com os pássaros e pra chorar um amor perdido com “Ângela”.
“A Love supreme” do Coltrane eu também coloco na mala. É a capa de vinil mais impactante que eu conheço (uma foto do Coltrane), e dentro, bem... dentro é simplesmente a tal da fúria misturada a sons de que o tal do Shakespeare já falava.
“Birth of cool”, do Miles. Porque viver sem ouvir Miles Davis é um fardo. E ser cool em meio aos trópicos é toda a fantasia que me resta.
“Cartola”, do próprio, lançado pela Marcus Pereira. Deve causar fissuras na alma ouvir “Alvorada” e “Acontece” olhando o mar.
“Reencontro”. É o meu preferido do Tim Maia. Quem nunca dançou sozinho na sala que atire a primeira pedra. E agora eu tenho uma ilha inteira para as minhas coreografias.
“Diana & Marvin”. Sabe aquele papo de homem e mulher? Aquela coisa que aqueles meninos que morriam novos e deixavam um monte de poemas chamavam de amor? Com Diana Ross e Marvin Gaye cantando “Love Twins” você vai descobrir que era tudo besteira perto da Motown.
E já que estou na Motown, por que não “I want you”, do Marvin? Bom, já escureceu, a rede é grande e eu não tô muito interessado em ver essas estrelas sozinho.
A mala tá quase cheia. Mas tem espaço, com cuidado, em cima dos outros discos, para levar a Nina Simone. “I put a spell on you”, afinal de contas toda essa viagem pode ser resumida em “Feeling good”.
Amanhã é dia da poesia, acho isso uma bobagem, mas deixa pra lá...
Estava pensando no Neruda, me lembrei de um poema dele, me lembrei da canção que “Tilo” González fez com aqueles versos . Aí lembrei do Pedro Aznar, grande músico argentino, cantando-a no estádio Nacional de Santiago (onde atrocidades inumeráveis foram cometidas), 30 anos depois do golpe a Allende. Lembrei de tudo e lembraria muito mais, mas resolvi parar por aqui e dividir com você.
Farewell
Amo el amor de los marineros que besan y se van Dejan una promesa No vuelven nunca más
En cada puerto una mujer espera Los marineros besan y se van Una noche se acuestan con la muerte en lecho del mar
Amo el amor que se reparte en versos, lecho y pan Amor que puede ser eterno y puede ser fugaz
Amor que quiere libertarse para volver a amar Amor divinizado que se acerca Amor divinizado que se va
Sexta, às 19h, paulistanos e internautas têm um programa diferente: "Fim de expediente", apresentado pelo ator Dan Stulbach e com a participação do escritor José Godoy e do economista Luiz Gustavo Medina.
Durante uma hora e com muito humor, o trio passa a limpo os principais assuntos da semana, com entrevistas, reportagens e a participação dos ouvintes pelo e-mail:
Para quem não agüenta esperar até sexta, de segunda a quinta os participantes do Fim de Expediente "aquecem os motores" no Jornal da CBN 2ª Edição, às 19h15min. Dan, Teco e Zé se revezam fazendo comentários sobre os principais assuntos do dia, numa conversa sempre muito descontraída com o âncora Roberto Nonato.