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Fim de Expediente
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Cinema

“Bobby” e a sentença do juiz

Bobby é um ótimo filme. Muito mal resenhado pela crítica. Abro parêntesis. Se você gosta de cinema, não leia críticas de jornal. Se você gosta muito de cinema, recorte as críticas e as leia após assistir o filme resenhado. Fecho parêntesis.


Emilio Esteves trabalhou duro para montar um quebra-cabeça, num local circunscrito, o hotel Ambassador. Num espaço temporal mínimo – as horas que antecedem o assassinato de Bob Kennedy. E através de uma série de personagens que expelem por seus poros, expressões e diálogos a atmosfera daquele período. O filme tem ótimos diálogos, que talvez só um ator tivesse “ouvido” para escrever, e nos brinda com pequenos momentos antológicos – em que filme é possível ver Anthony Hopkins e Harry Belafonte jogando xadrez e discutindo a velhice? Ou, em que esse ator tão magnífico, quanto mal aproveitado, chamado Laurence Fishburne, numa cena de dois minutos, possa expor na prática a máxima que serve para qualquer arte – “menos é mais”?


O assassinato do segundo Kennedy em cinco anos, e a proximidade do fato da morte de Martin Luther King se não marcam uma era – afinal de contas é simplista reduzir um momento histórico a fatos, ao invés de processos –, indiscutivelmente servem como delimitadores, pontos de referência de uma era, de um processo de substituição de valores que reverbera ainda em nossos dias.


Os discursos de Bobby Kennedy, resgatados no filme de Esteves, tratam, em sua maioria, de questões relacionadas aos direitos humanos, liberdades individuais e preconceito. Essa era a pauta que brotava da efervescência daqueles dias. Quarenta anos depois, neste país chamado Brasil, em 2007, um juiz de direito de nome Manoel Maximiano Junqueira Filho, note-se, um juiz de direito, proclama uma sentença em que afirma ser o futebol “um jogo viril, varonil, não homossexual", e sugere que um atleta gay deva abandonar a carreira ou montar um novo time e criar uma federação própria para continuar atuando.


A sentença, para quem não está a par, foi dada no processo em que o atleta Richarlyson, do São Paulo, movia contra o diretor do Palmeiras, José Cyrillo Jr., que havia afirmado num programa de televisão que o atleta era homossexual. Será que na máquina patrocinada pelo dinheiro público que se transformou o nosso cinema, haverá algum diretor ou ator interessado nesta estória? O que dirão as futuras resenhas de jornal, se alguém se aventurar em fazê-lo?


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O EVENTO DA SEMANA

Pelas capas das revistas semanais temos um bom resumo dos eventos da semana. Normalmente temos estampados escândalos, conquistas, personagens, polêmicas. Essa semana assunto não falta, principalmente aqui em São Paulo, a capital mundial dos eventos.

No nosso dia a dia esses eventos são sempre mais simples do que os que aparecem na mídia. Nos importamos com os jogos do nosso time, com a promoção que um dia vai chegar, com a compra do carro novo e porque não com a conquista ou descoberta de um novo amor.

Acho que por causa do programa tenho classificado como “meus” os eventos que acontecem no Brasil. Sofro e comemoro muito com coisas em que no fundo atuo apenas como “coadjuvante”.

De um tempo para cá, por razões óbvias e diversas, isso mudou. O bom de mudar algumas coisas na vida é perceber, após as mesmas, que isto foi na direção correta. Chega a dar pena de si mesmo, como algumas coisas sem nenhuma importância, foram importantes.

Foi uma semana caótica na cidade, no país, no mundo, no mercado financeiro. Uma semana aparentemente igual a todas as últimas. Uma semana que foi “salva” e se tornou “inesquecível” a 10 minutos de acabar.

Foi nessa semana em que ela se mexeu pela primeira vez. Pela primeira vez minha mão e a dela se tocaram, ainda que metaforicamente, foi o nosso primeiro contato. Enfim achei o evento da minha semana.


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Mundo real x “mundo público”

Estou revoltado. O Metrô parou de novo. Ele para, a cidade para e as pessoas ficam presas onde estão.

Os metroviários estão reclamando participação maior nos lucros. Reparem que não estão reclamando de salários baixos, atrasados, dos benefícios oferecidos, da carga horária, das condições em que trabalham. Querem MAIOR participação nos lucros.

É a terceira vez no ano que eles estão insatisfeitos e ainda estamos em agosto.

Por que eles então não se demitem? Não é assim que funciona no mundo real? Se seu chefe é chato, paga mal, te destrata, não te estimula, etc, etc, etc ... você faz greve? Não! Você se demite e procura outro emprego.

Por que não demitem os grevistas insatisfeitos ? Porque a lei não permite? Por que ?

Se ninguém fizer nada, em 3 meses, eles param de novo. E se ninguém trouxer o “mundo público” para o mundo real, sempre nos sentiremos “os caras” que pagam as contas.

O “mundo público” possui direitos, nós deveres.


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EXPOSIÇÃO

Uma exposição para ver, um artista para conhecer

Vik Muniz é um paulistano de Pirituba. Assim como o Escadinha, líbero da seleção de vôlei. Assim como um monte de gente. Mas pouca gente sabe disso. Aliás, no Brasil, quase ninguém sabe quem é o Vik Muniz. Nos Estados Unidos por uma foto do Vik paga-se caro. Muito caro. Dizem que algumas chegam a US$30.000,00.
Ele e suas obras já estiveram por aqui várias vezes, muitas matérias já foram escritas ao seu respeito, e com certeza as paredes de muita gente endinheirada devem emoldurar suas fotos. Mas a partir dessa semana, e pelos próximos meses, haverá várias oportunidades do grande público se aproximar desse artista, cujo trabalho é instigante. Grosso modo, Vik fotografa trabalhos feitos com matéria perecível. Os mais conhecidos são os feitos com chocolate. O artista cria composições de um detalhamento incrível, com essa matéria, e, depois, realiza fotos a partir destas.
A exposição que chega ao Brasil faz parte da mostra “The Beautiful Earth” e se divide em três séries. “Pictures of junk” são cenas extraídas de pinturas renascentistas, reconstruídas com lixo, e então fotografadas. “Pictures of Earthwork”, trata de desenhos em grande escala feitos por escavadeiras. Descrevendo assim, parece inverossímil, mas é impressionante o que o artista consegue a partir de materiais tão inusitados. Por fim, “Pictures of Pigment” são composições a base de pigmentos inspiradas em obras de Monet e Courbet.
Essa última série será exposta na galeria Fortes Villaça, na Vila Madalena, a partir de terça, 7/8. As outras duas já estão em exposição no Paço das Artes, na USP. Que como a maioria dos museus do campus é muito mal divulgado, mas muito antenado à produção contemporânea. Ambas as exposições são gratuitas. Para quem já conhece o trabalho do Vik, a Editora Cosac & Naif está para lançar a versão nacional do livro que o artista escreveu para o mercado americano: “Reflex: A Vik Muniz Primer”.


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Hoje, às 19:00 ao vivo, o jornalista Ricardo Noblat

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A Pergunta que faltava - Extras

Para romper o silêncio.
É o seguinte: Se por ventura eu fosse Chamado ao Planalto para ser Ministro da Cultura. Iria, de ônibus. Já lá, antes de mais nada, no Salão Oval (se é que existe um), antes do aperto de mão, faria algumas perguntas de sopetão ao Presidente...Afinal de contas, o Sr. sabia? Por que o senhor demorou tanto pra aparecer e dizer algo depois do acidente? Várias perguntas, faria uma enquete no blog, levaria uma lista. Depois dele responder todas, já cansado e curioso, antes do aperto de mão, seria a vez dele me perguntar: E então, você aceita? E eu responderia: Claro que não. Presidente, pela primeira vez, vê se chama alguém que entenda. Chama o Danilo Santos de Miranda.

Segue uma entrevista exclusiva aqui pro blog com o Danilo, nosso entrevistado da última sexta. E a quem, mais uma vez agradecemos



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por um instante, que tudo parassse




um silêncio





e um respiro





por Bergman, por Antonioni, pelos mortos e por nós




um minuto de silêncio








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CINEMA

Que dia foi esse?

Depois de Bergman, Antonioni. 30 de julho de 2007. Guardem essa data. Daqui a décadas ela será lembrada como o fim do cinema de autor. Outros cineastas continuaram fazendo filmes, inspirados nesses homens, mas penso que não serão mais do que homenagens a um gênero que se encerra. Não haverá mais o impacto de “A noite”, em que Mastroianni e Jeanne Moreau formam um casal marcado pela incomunicabilidade, revelando nas nuances de seus rostos, o abissal tédio da vida burguesa, ainda tão presente por aqui. Aliás, apenas como um aparte, nada melhor do que a charge de Angeli, na Folha de ontem, sobre o movimento “Cansei”, comandado por João Dória Jr. Mas voltando a Antonioni, quem terá coragem nos dias de hoje, de pegar um conto como “As babas do diabo”, de Cortázar, tão denso e complexo em sua tessitura literária, e transformá-lo num filme como “Blow up”. Ou, quem ainda haverá de tirar de Jack Nicholson, interpretações como o David Locke de “O Passageiro - Profissão: repórter”. Por uma diferença de fuso-horário, fomos poupados de receber essas duas mortes no mesmo dia. Por outro lado, em mim reside a sensação de que este ainda não acabou, e que se perpetuará como uma falha na alma, toda vez que voltar a por os pés num cinema.


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MÚSICA

Antídoto contra o frio

Faça como eu, afaste os móveis e saia dançando. "Soul music", Curtis Mayfield.




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A SEMANA

Segunda feira, 20h, exausto começo a desligar os monitores das cotações das ações. Que coisa !!! Passei quinta e sexta o dia inteiro explicando ou tentando a clientes e jornalistas o porque da queda e hoje tive que fazer tudo de novo, explicando o porque da alta.

Durante um almoço pra lá de folclórico com uma pessoa que admiro muito ouvi a seguinte frase: “Os economistas nunca sabem de nada, não tem a menor idéia do que está acontecendo”.

Por incrível que pareça esse comentário me trouxe um certo alívio. Dado que essa pode ser a impressão das pessoas, me sinto mais livre para soltar minhas análises.

1 – o dólar vai cair mais.

2 – os juros vão cair mais. Fecham a 10,5% esse ano e 9% ano que vem.

3 - a bolsa vai subir mais. Nesse contexto é impossível ela não subir. Por duas razões bem simples: se os juros caem, o país cresce e isso é bom; se o dólar cai e os juros caem, onde as pessoas podem ganhar dinheiro?

Subprime, bolha imobiliária nos EUA, saída da MSI no Corinthians, petróleo alto, petróleo baixo, aquecimento global, China, Lula, congonhas, U$ baixo??????? Deixem isso de lado por enquanto.

O grande risco do mundo são os juros americanos: estáveis ou para baixo, nada muda e tudo fica cada vez melhor; se subirem a coisa pode ficar bem feia e a festa vai acabar.

Meu palpite sobre isso: caem no fim do ano ou começo de 2.008. Mas lembrem-se: Os economistas nunca sabem de nada, não tem a menor idéia do que está acontecendo”.

Último aviso: investimento em ações, apreciem com moderação.



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A morte venceu o cavaleiro

Bergman morreu. Quando Miles Davis morreu, tive uma desconfiança, que quando Tom Jobim se foi, virou uma certeza: eles morrem. Sim, como o cavaleiro de “O sétimo selo”, que propõe uma derradeira partida de xadrez contra a Morte, e que por mais que adie seu desfecho, acaba derrotado, Bergman se foi. Para onde irão agora os seus demônios? Os demônios que ele enumera numa cena antológica do documentário “Ingmar Bergman completo: Bergman e o cinema, Bergman e o teatro, Bergman e a Ilha de Farö.”, da jornalista e cineasta sueca Marie Nyreröd, exibido na Mostra de Cinema de São Paulo, de 2005.
Levando ao limite a exploração dos próprios questionamentos, de seus traumas mais profundos, Bergman realizou uma obra que influenciou todo o cinema de autor feito a partir da segunda metade do século XX. De Woody Allen a Godard, de Lars Von Trier a Polanski. Sua morte pode ser interpretada como um signo dos nossos tempos. Será que ao avançarmos neste século que se inicia, haverá ainda espaço para esse tipo de manifestação artística, para esse tipo de cinema? Ou definitivamente o cinema se verá transformado num modelo de negócio em que o autor é apenas mais uma peça das engrenagens que o movimentam? Quem viver verá. Bergman não mais. Hoje à tarde não atenderei nenhum telefonema. Fecharei as janelas do escritório, e assistirei a versão completa de “Fanny e Alexander”. Sou um tolo, um tolo emotivo. É assim que os tolos agem quando querem prestar homenagens.


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No Mundo - Cidades Visíveis

Será uma espécie de "novo quadro" daqui do blog. Gente que anda pelo mundo, escrevendo sua visão pessoal do que acontece por lá. Começamos convidando a Ana Carolina Ramos, que está em Nova York. Calor.


"Escrevo sentada no balcão do Florent. Ao meu lado está o Martin Sheen devorando o seu brunch de sábado com apetite. Ele fazia uma série chamada West Wing, que não assisti. Ele é um velhinho. Prefiro guardar essa imagem dele do filme "Apocalypse Now". Aquela cena em que ele pira num quarto de hotel é antológica. Num documentário feito pela mulher do Coppola chamado "Hearts of Darkness: A Filmaker's Apocalypse", ela mostra que essa cena foi um ataque verdadeiro do ator e que o marido só ficou dentro do quarto provocando e filmando tudo. Esse documentário é fabuloso. Mostra que o Coppola gastou tudo o que tinha ganho nos Poderoso Chefão I e II, e que o Marlon Brando chegou lá enorme de gordo sem nem ter lido os textos. Ela acompanhou o marido e levou os filhos para aquele fim de mundo e a cena do esquartejamento do boi que aparece no final foi ela que chamou o marido pra ir ver o que um pessoal estava fazendo logo alí e depois pediram para repetir a cerimônia macabra para as filmagens.
Vendo o ator comer ovos com vontade aumenta a minha fome. Meu ometelete deve estar quase chegando. Aqui serve-se comida americana autêntica, o que quer dizer: muita quantidade num prato de louça grossa riscada onde vem junto o pote do molho e pacotes de manteiga (em cima mesmo da comida), garfos tortos, café expresso nem pensar e só aceita dinheiro.
É cultuado por dois grupos: designers modernetes, porque foi o Tibor Kalman, por quem eles são apaixonados, que fez a identidade visual do lugar, e fãs viciadas em Sex & the City que já dão gritinho quando estão atravessando a rua para entrar porque esse lugar apareceu bastante na série. A Miranda morava nesse bairro, o Meatpacking District. Esse restaurante já existia muito antes do bairro ter virado o novo Soho no final dos anos 90.
O Martin Sheen paga a conta e vai embora não sem antes se despedir de mim. Muito educado. O ar condicionado está tão bom. Tenho preguiça de sair.
Aqui era a última parada antes de chegar a minha praia – o pier no Hudson River Park que tem o parquinho de esguiços para bebês que eu adoro. Cruzei com muita gente andando naquela direção, com sacolas de plástico que levavam protetor solar e garrafa d’água.
O parquinho estava lotadíssimo. Tomo umas esguiçadas e sigo pra me deitar num gramado onde tiro uma soneca curta. A conversa baixinha de duas amigas me embala o sono. Lá ao fundo ouço um músico de rua tocar (mal) umas congas.
Sou despertada por dois meninos de 9 anos que se sentam totalmente molhados perto de mim. Cada um com seu sorvete na mão começam uma conversa hilária e impossível de não se ouvir. Sentam-se e logo exclamam prazer em poder aproveitar a grama e depois um deles começa a contar uma história mentirosa sobre ter visto uma menina pelada uma vez brincando num parque. O outro menino ingenuamente acredita nas mentiras que o amigo vai inventando enquanto come o sorvete. Fica curioso e pergunta: “mas ela estava mesmo sem roupa nenhuma ou só sem camiseta?” O outro responde: “completamente nua”. O inocente quer saber quantos anos ela tem e o outro responde: “devia ter a nossa idade, 8 ou 9”. Começo a prestar muita atenção à conversa imaginando que a menina devia ter uns 6 anos no máximo. O mentiroso vai aumentando a história contando que ela era bem liberada e que ele chegou mesmo a perguntar a ela: “você não devia estar vestindo ao menos um biquini?” E ela: “No, I always come like that”. O mentiroso começou a aumentar tanto a história com detalhes cabeludos que o amigo ingênuo começou a desconfiar. Chegou um momento em que o inocente não aguentava mais e disse: “I want to see her”. E o outro teve que começar a explicar que não dava, que isso aconteceu no ano passado e tal.
Terminado o picolé o abusadinho levanta-se e vai dar o papel e o palito pra mãe que estava mais ao longe conversando com a mãe do outro e volta soltando essa máxima “All moms are perfect garbage cans”. Será que isso foi um elogio? Levanto a cabeça pra ver a lata de lixo que é a mãe dele e vejo que ela parece bem cansada. Olha o que me espera.
Decido andar mais um pouco e descubro que o pier seguinte, no fim de semana, é dos gays. Reparo que estou mesmo na altura do Village. Um casal gay simpático me pede pra tirar uma foto deles com a estátua da Liberdade ao fundo. A foto fica boa. Decido ir pra casa. Está muito quente.
Na saída encontro ainda os dois garotos amigos que agora estão rolando na grama onde tem a única inclinação um pouco mais acentuada. Olhei para aqueles dois e pensei como deve ser bom tomar sorvete com os amigos num sábado inventando mentiras cabeludas e fico imaginando que para esses meninos a visão de uma menina pelada deve ser mesmo assustadora"


Obrigado Ana.
Próxima parada: Dubai.

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O labirinto do Fauno

Assisti a “O Labirinto do Fauno”, já disponível em DVD. Gostei, mas...
O filme é belíssimo, justifica plenamente os prêmios técnicos que recebeu no Oscar, e indiscutivelmente, Guillermo Del Toro, seu diretor, conhece o ofício. Mas...
A técnica refinada, de uma nova geração de diretores, tem feito do cinema um espetáculo visual de grande impacto, mas que parece dissociado do que se conta, do que é narrado. É como se houvesse um choque entre linguagens, entre a cinematografia e a dramaturgia. Quando se tem a experiência de se ver um desses filmes fora da tela do cinema, reproduzido na tela menor da TV, esses contrastes surgem muito mais nítidos.
Em “O Labirinto...” há um filme de grande esmero na construção de um cenário realista de guerra, que é contrastado pelos ambientes oníricos que a personagem de uma menina que adora ler, freqüenta. São duas formas de interpretação, montagem e fotografia que coexistem no filme, que resumidamente se passa na Espanha franquista, onde uma tropa do exército tenta debelar um grupo da resistência, enquanto seu comandante recebe a mulher que está grávida, acompanhada de sua filha, fruto de outro casamento.
Ao mesmo tempo em que toda essa ambientação envolve o espectador por sua diversidade de recursos, esses dois planos não encontram equivalência na dramaturgia. É como se a fábula que envolve a narrativa da personagem infantil se chocasse com a linearidade das narrativas, com os chavões de uma disputa armada – traidores, tortura, fuzilamentos. São dois planos que se quer se contar em paralelo, mas que não encontram liga na tessitura de seu roteiro.
“O Labirinto...” é um belo filme. Suas imagens persistem. Del Toro é um grande diretor. Mas há uma imaturidade em seu modo de contar que ainda não me convence.


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Para ler, pensar e avançar ...

Que programa foi esse de sexta??? Estou até agora embasbacado com o Danilo. Estou votando nele para Presidente. Tudo o que ele falou foi muito claro e óbvio. Mostrou o que está errado e como seria o certo. Em 40 minutos. Parece simples e fácil colocarmos as coisas na rota certa. Basta alguém fazer. A matéria que fala do livro do homem que em 7 anos construiu 3.800 bibliotecas, centenas de escolas no Tibet e distribuiu 2 milhões de livros é impressionante. O sujeito é um Ministério da Educação sozinho. Temos que trazer ele pra cá. De novo parece simples e fácil colocarmos as coisas na rota certa. Basta alguém fazer.

Por fim na Veja dessa semana uma matéria sobre a Colômbia. O Zé já havia me alertado várias vezes sobre as mudanças (talvez possa até colocar mais dados aqui). Estou boquiaberto com a reportagem. Se a Colômbia conseguiu por que aqui não daria certo?

De novo parece simples e fácil colocarmos as coisas na rota certa. Basta alguém fazer.


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B.B. King volta amanhã ao Mississipi. Nascido em plantação de algodão, o homem de 82 anos e 15 filhos, está numa turnê pelos USA. Blues Boy King. Aqui, ele canta um dos seus maiores sucessos ao lado da desaparecida e ex-futura-promessa Tracy Chapman. Em todo caso, vale a pena. "The Trill is Gone". E está mesmo.






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Para quem quer comprar novos livros

E quer ler ficção, indico dois títulos lançados pelo selo Alfaguara. O primeiro é “Eu hei-de amar uma pedra”, do português António Lobo Antunes. Já falei de Lobo Antunes aqui, na época em que ele recebeu o prêmio Camões deste, o mais prestigioso concedido a autores em língua portuguesa. Portugal hoje parece divido entre os cultuadores de Lobo e os de Saramago. Para muitos é impossível alguém gostar dos dois autores, que, ao que consta, também não se bicam. Lobo Antunes é médico e trabalhou junto às tropas portuguesas na Guerra de Angola. Alguns dos seus principais livros cobrem esse período, recente, sangrento e bárbaro da história de Portugal, como “Os cus dos Judas” e “Conhecimento do inferno”, que mereceram edições recentes também da Alfaguara. Em “Eu hei-de...”, Lobo aborda questões mais pessoais, conta através da descrição de fotografias a estória de um amor e do reencontro desse casal muito tempo depois. Trata-se de um estilista da língua, que se utiliza com imenso talento das imensas possibilidades de nosso idioma, através de imagens poderosas e um grande apuro técnico. Grande autor, grande livro. A segunda sugestão é “Como vivem os mortos”, do inglês Will Self. Ácido e cruel como as declarações de seu autor. É pra quem gosta de coisas mais intensas, como seria um show do Clash ou dos Sex Pistols. Rock, punk, energia e vitalidade. Self como a maioria dos autores ingleses, escreve com talento e estrito domínio do ofício. Parte da premissa de que um escritor deve causar incômodo em seus leitores. Criar reflexões a partir daí. Pra quem está disposto a aceitar sua proposta, ele não decepciona.


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PERGUNTA BOBA

Jobin é notoriamente um grande advogado, se não conhecesse muito, nunca teria virado Ministro do STF.

Por ter sido Ministro do Supremo, não pode ter mais conhecimento "aéreo" que um técnico, certo ?

Jobin era daqueles que davam liminares na época da CPI dos Correios e Mensalão, evidentemente, pró Governo.

Jobin quase foi vice-Presidente na chapa de Lula na última eleição.

Claro que pior que está não vai ficar. Evidente que qualquer um vai melhorar o caos que estamos.

Teria pensado o Planalto + acessores + Jobin que caso ele resolva o caos aéreo, viraria "PRESIDENCIÁVEL" ????

Acho que não né. Não dá para imaginar que no meio de uma TRAGÉDIA sem fim, alguém possa sugerir ou aceitar uma nomeação com outros interesses em detrimento do interesse do país. Não é possível né ?



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EXCLUSIVO E REVELADOR!!!

Acabo de receber essas imagens, que dizem ser do Fofo Teco; sim, o nosso Fofo Teco no Parque de Diversões quando ainda menino. Ele está nos USA. Não sabemos o porquê. Ainda também não descobrimos porque ele grita em inglês. Talvez ainda não falasse português, como saber? Enquanto pesquisamos, aproveite enquanto ele não veta essas imagens. Prometemos averiguar.
E a D. Vera ao lado, que não pára de rir?? Esse Teco...Fofo demais!




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Cinema bom e de graça

Não, não estou blefando. Não, esse não é um anúncio baseado na cartilha “Tabajara Management”, a única que faz sua carreira nunca decolar. Estou falando do “Festival de cinema latino-americano de São Paulo”. Você continua por aí? É sério. São 120 filmes a serem exibidos até domingo, dia 29. Você pode assisti-los no Memorial da América Latina (faz sentido...), no Cinesesc (eleito pelos apresentadores do FDE, com impressionantes dois terços dos votos, como o melhor cinema de São Paulo), e na Sala Cinemateca, um ótimo lugar para ver filmes, desde que se tenha carro. Mas vamos aos filmes. Garimpando tantas pérolas, encontrei quatro sugestões para os próximos dias. Hoje, 26/7, às 20h30, na Sala Cinemateca, para quem só pensa em esportes, motivado pelas competições do Pan, passa “JC Chávez”, documentário sobre o grande pugilista mexicano, Júlio César Chávez, dirigido pelo ator Diego Luna, protagonista de “E sua mãe também”. Para quem for muito cinéfilo, às 18h30, a mesma sala exibe “Reed, México insurgente”, clássico de Paulo Leduc, um dos maiores nomes do cinema mexicano. Na sexta, às 21h, o Memorial da América Latina passa o excelente documentário do brasileiro Vicente Ferraz, “Soy Cuba, o mamute siberiano”, que conta a história da realização de “Soy Cuba”, superprodução realizada em Cuba por um soviético, para divulgar o regime recém-empossado, mas que acaba se transformando num embate entre as diferenças culturais entre soviéticos e cubanos. E no domingo, na Cinemateca, às 16h30, passa “A adolescente”, filme da fase mexicana de Luís Buñuel, que dispensa apresentações. Como tudo que é de graça demanda algum esforço, é preciso chegar com uma hora de antecedência para pegar uma senha. É como diz o pessoal da ANAC, é preciso paciência. Para quem quer mais informações entre no site: www.memorial.sp.gov.br.


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É mais ou menos isso: O vôlei é o Brasil que a gente queria ser, o basquete é o Brasil que acabamos sendo, e o futebol... o futebol não é o Brasil, é Brasília.

Tenho andado triste com tudo, parece que o país está despencando, e de outro lado esta alegria estranha do PAN. Como se não bastasse, o meu time está como está. Daí, preferi hoje pescar um post de um dos blogs que sempre dou uma lida, ao invés de escrever. Passei pelo Juca, pelo novato e ótimo blog do Paulinho e fiquei com esse, do blogol do André Kfouri. Só pra constar, falando um pouco do vôlei, sou 100% Bernardinho, com erros e acertos na balança. No basquete, acho esta administração péssima, estes técnicos lamentáveis. Afundaram a história, desperdiçam os talentos e não plantam nada. Se pudesse, entregava tudo pra Magic Paula. Tá vendo? A tristeza deixa a gente radical. Segue o texto do André:

NUMBER 1...
A parceria do Corinthians com a MSI acabou, na prática, na noite de 4 de maio de 2006. Foi quando o River Plate venceu, de virada, por 3 x 1, e o Pacaembu viu o Corinthians ser eliminado da Copa Libertadores. O "projeto" (lembra das declarações? "number 1...", "vamos ganhar tudo...") não resistiu ao primeiro grande revés. O plano era ganhar a Libertadores, ganhar o Mundial... enquanto o time estivesse neste caminho, a torcida estaria gostando, os craques internacionais continuariam por aqui, Kia Joorabchian continuaria jantando (cercado de bajuladores) nos restaurantes chiques da cidade. Mas o novo trauma na Libertadores obrigaria a um recomeço, e se viu que o "projeto" era conversa mole. Conversa que enganou muita gente, diga-se de passagem. De boa e de má fé. A maioria, claro, de má. O time se afundou, os jogadores foram embora. Em junho do ano passado, a tal parceria foi sepultada. O manda-chuva Joorabchian voltou para a Inglaterra, em fuga. Ontem, em reunião do Conselho Deliberativo, aconteceu o enterro. Com os votos, pasmem, de TODOS aqueles que diziam que o contrato com uma empresa que não existia, e que traria dinheiro que ninguém sabia de onde viria, era bom. Mas as pessoas que trabalharam pela aventura, que a defenderam, que lucraram com ela, ainda estão por perto. E o Corinthians está pior, muito pior (em todos os aspectos) do que em dezembro de 2004, quando se vendeu. Na época, teve gente que disse que a parceria era a salvação do clube... O Corinthians só estará à salvo quando seus atuais dirigentes (e a turminha de malandros que os acompanha) estiverem longe.A boa notícia é que a Justiça está atrás deles.

http://blogol.blig.ig.com.br/


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TABAJARA MANAGEMENT

Srs, a cada 100 anos surge um novo "PAPA" na Administração de Empresas. Um cara que revoluciona as coisas do dia a dia. Foi assim que aconteceu a Revolução Industrial, foi assim que surgiu Adam Smith, foi assim que apareceram Kotler, Drucker, a Reengenharia ...

No começo do século XXI, um brasileiro, entra para a história: Lula, com sua nova estratégia de administração de crises, revolucionará o jeito que a s empresas pelo mundo irão resolver seus problemas. O método por ele inventado é tão bom que se aplica às famílias brasileiras e mundiais. O Tabajara Management é o jeito mais simples, prático e rápido de resolvermos os problemas mundiais, vejam só:

Temos uma crise aérea. Dizem que há 10 meses, mas evidentemente já havia um problema ANTES do avião da Gol cair, então ontem, quase um ano depois do problema ser identificado, do problema não ser atenuado e de não termos perspectivas, Lula resolve usar o método revolucionário: PROIBIR AS PESSOAS DE ANDAREM DE AVIÃO. Simples assim. Tem um problema aéreo, ninguém viaja de avião.

Problemas com o trânsito de SP, ninguém anda mais de carro. Seu filho vai mal na escola, tira ele da escola. Não sabe onde levar sua mulher para jantar, jante em casa. Sua empresa está com problemas de informática, corte os computadores.

O Tabajara Management é perfeito. Pode ser aplicado tanto na vida pessoal, quanto na vida profissional. Basta cortarmos ou proibirmos tudo aquilo que não está funcionando. Para que planejar, ter idéias, modernizar as soluções, se a gente pode simplesmente cortar as coisas? Para que estudar, contratar gestores experientes e competentes, se podemos "sumir" com os inconvenientes do dia a dia. Lula é um gênio. Esse livro que ele vai lançar, vai vender como água, já tenho até os títulos provisórios: "Seus problemas acabaram" ou "T.M chegou e o problema acabou".

Ontem, a GOL, uma empresa que vende passagens aéreas, gastou uma nota na TV para pedir que ninguém compre suas passagens aéreas ??? Tentem explicar isso para um americano. Imaginem as padarias colocando avisos: "Srs clientes, por favor não comprem pães!" Talvez, por estarmos aqui dentro, não fique tão claro o quão ridícula é essa situação. É o fim da picada.


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Para quem acha que o pop é só inglês...




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Do Japão

Acabo de ler “Em louvor da sombra” de Junichiro Tanizaki. Tanizaki é um dos maiores autores japoneses do século XX. “Em louvor...” é um pequeno livro de ensaios que reflete sobre o Japão, sobre as peculiaridades da cultura do país, que o diferenciavam de um Ocidente cada vez mais próximo. O livro, escrito em 1933, ganha força pelo contraste de tudo o que aconteceria com o país após a Segunda Guerra. Tive vontade de falar a respeito do Japão, pois nos últimos anos o Ocidente parece estar mais interessado em entender o país, de um modo mais próximo, sem o deslumbre dos anos 1980, quando se chegou a imaginar que este iria destronar os Estados Unidos como potência econômica. Hoje, o que move essa aproximação, é buscar entender o processo de ocidentalização que somado a utilização maciça de tecnologia, formatou uma nova geração, em que transparece um forte desejo de diferenciação, sobretudo como projeção, como imagem externa. A opulência econômica e as facilidades tecnológicas estão moldando uma juventude em que moda e artes passam a fazer parte do indivíduo como caráter identitário. Vestir-se, produzir algo criativo e comunicar-se através das diversas ferramentas tecnológicas, passam a fazer parte do “eu” de cada um, como um emblema, um símbolo. Lembro-me do segundo filme de Sofia Copolla, “Encontros e desencontros”, que de certa forma capta esta atmosfera. Ecos desse interesse atingem agora o Brasil, com livros de dois dos nossos melhore autores contemporâneos, a respeito da cultura nipônica. “O sol se põe em São Paulo” de Bernardo Carvalho e “Rakushisha” de Adriana Lisboa. Carvalho explora os laços que unem o país à cidade de São Paulo, onde se concentra uma das maiores colônias japonesas do mundo, e que fez da Liberdade um apêndice transportado do Oriente. Penso que existam mais semelhanças entre essas culturas, aparentemente tão diferentes, do que possamos supor. Principalmente o conflito entre herança e o apelo do presente. Em Tanizaki saltam aos olhos as peculiaridades que fazem uma cultura única, algo a ser preservado. Somos um país mais novo, mas nossa miscigenação produziu e ainda produz manifestações poderosas. Muito longe de querer pregar um mundo baseado na xenofobia, esse conjunto de obras serve como um bom parâmetro para os nossos dias, onde o anacrônico deve ser evitado, sem que se ocupe esse espaço vago, pelo sedutor apelo da publicidade e dos pastiches do entretenimento, que com suas pinceladas superficiais, se sobrepõem em meio à nossa miséria cultural, ao que nasce como explosão própria de um conjunto de pessoas, quer seja o teatro Kabuki ou o chorinho.


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E a MSI foi mandada embora...

No Reino da Cara de Pau, tudo se salva e conserta. Agora só falta o resto.

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1. Chuva



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2.


Lucca, meu sobrinho e o primeiro da próxima geração, numa tarde de domingo.

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3.



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Outra grande notícia

Hoje o Mercado financeiro recebeu mais um presente de Natal. Foi divulgado o IED (Investimento estrangeiro direto) do mês de junho e adivinhem ... novo recorde. O saldo de mais de 10 bilhões em junho, corrobora às expectativas de maior saldo anual desde à época das privatizações. As projeções são de que em 2007 mais de 30 bilhões de dólares entrarão no Brasil, não atrás de juros ou de ações, mas sim atrás de ativos REAIS.

É mais um indicador daqueles que agradam a todo mundo e que certamente trarão benefícios enormes ao país. Mostra o apetite do mundo com a gente. Mostra que agora é a hora em que tudo deve funcionar. Agora é a hora de tratar bem o freguês, hora de cuidar bem da decoração.

Espero que não falte luz por aqui. Espero que a burocracia não emperre o crescimento. Espero que a infra-estrutura disponível agüente esses recursos que estão entrando e por fim espero que o Governo continue tentando não atrapalhar.

Essa notícia que deve ser muito comemorada é ruim para apenas uma coisa. Adivinhem para quem? Exato, é mais um sinal de que o dólar vai cair mais e mais

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Direto do Rio

Chego no Rio numa tarde ensolarada. Uma cidade que parece ter feito as pazes com o idílio há muito sonhado. Ao menos durante essas duas semanas de Pan. Ao menos nessa cidade que se revela aos meus olhos, assim que deixo o Túnel Rebouças, e que apresenta o que nem o mais arraigado preconceito pode negar: sua beleza indescrítivel. Antes do túnel, deixei para trás uma outra cidade. Uma imensa cidade, que parece interligar todas as periferias do Brasil. O que é o Brasil? Essa sensação de idílio que me acalma, ou tudo que meus olhos atentos registraram ao longo dos 400km que separam as duas maiores cidades do país? O idílio que habito é garantido por uma sensação única de segurança, que liberta nosso natural entusiasmo por celebração, festa e este estranho patriotismo, que enche os olhos de lágrimas ao ouvir o hino nacional, que se comove com as trajetórias de superação de nossos atletas, mas que no restante do tempo, parece entregue à letargia que não nos tira da posição de meros espectadores, que sofrem ou vibram pelos feitos ou desfeitos alheios. A cidade do idílio tem policiais a cada cem metros, viaturas novíssimas. Os morros que a circundam parecem calados. Terá havido um pacto, um armísticio temporário? Entro a contragosto num táxi iniciando minha viagem de retorno. Devo retornar à realidade. À cidade que me pariu. Tenho medo. Deixei para tás uma cidade sob cinzas. Vivo nesse paraíso que apesar de ter data para acabar, me protege. O carro adentra o Rebouças, cessa a luminosidade. Cessa a minha fantasia. A cidade idílica que conheci, e que acreditei existir, há de se perder dentro do meu inconsciente como um sonho não anotado. Os próximos dias serão de insônia e pesadelos.


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OS 10 DE P.S

Em fevereiro de 93, dez meninos de uma grande turma convenceram seus pais a deixá-los fazer a primeira grande viagem de suas vidas “adultas”: viajamos aos 17 anos de ônibus para passar 18 dias, incluindo o Carnaval, na ainda desconhecida Porto Seguro.

Às 26 horas de viagem foram apenas o começo das centenas de histórias que surgiram daqueles que a partir daquela viagem se auto-denominavam os 10 de P.S.

Estudamos na mesma classe desde os 14 anos, em alguns casos desde os 7 e em um caso específico, que me incluo, desde os 3 anos. Imaginem como são esses reencontros!!!! As histórias e brincadeiras se repetem, incansavelmente por todo o evento. Ninguém agüenta mais repeti-las, por outro lado, ninguém consegue esquecê-las.

Hoje um membro do colégio, da turma e dos 10 de P.S (sim havia esse ranking de importância) ofereceu uma festa para celebrar o bris (batizado judaico?) de seu novo filho. Um dia delicioso que nos remete à adolescência, que nos faz ser muito grato pelas amizades que fizemos.

Lá pelas tantas, já alterado pela infinita quantidade de brindes que fizemos ao longo do dia, presenciei a filha do Japa carregando no colo a filhinha do Duco, enquanto a mulher do André dançava com a mulher do Gazel; que estavam dentro de uma grande roda formada por nós, os maridos e amigos de colégio. A sensação de ver aqueles meninos reunidos, agora com esposas e filhos, dançando felizes por estarem ali foi indescritível. Perceber que, ao contrário do que normalmente ocorre, nossa turma não diminuiu, nossa turma agregou namoradas, esposas e crianças. Agora os 10 de P.S se tornaram definitivamente uma grande família.

O pai e anfitrião, Rodrigo Felberg, batizou seu filho de Michel, que por morar nos EUA era o único dos 10 de P.S que não estava presente. Num discurso de improviso agradeceu a presença e o carinho de todos e completou dizendo que por uma tarde conseguiu “esquecer” da semana dura que tivemos em SP.

Ainda fica na minha sala a foto dos 10 de P.S. (metade careca por ter entrado na faculdade). Todos solteiros, ingênuos, garotos e com muitas histórias por viver. São eles que sempre estão presentes nas minhas histórias e são sempre histórias boas, são com eles que eu quero contar !!!


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Da Carta Capital

Vaias para quem merece
por Sócrates

O que fazem os senadores, em Brasília, é exatamente igual a como agem os homens do esporte que usam os clubes como trampolim político, social e econômico. Dualib que o diga. A suspeita que foi levantada de que uma escuderia de Fórmula 1 teria recebido segredos tecnológicos e de desenvolvimento dos carros de uma concorrente explodiu na categoria como uma bomba. Não quero entrar aqui no mérito dessa questão, que, por si, já é muito grave, mas sim para discutir algumas distorções de comportamento que geram transgressões como essa iniciativa.

Temos acompanhado inúmeros exemplos de ações que visam favorecer especificamente um indivíduo ou um grupo na história do nosso país. Agora mesmo, um dos senadores da República, que foi governador do Distrito Federal, renunciou ao mandato por ter sido flagrado por escutas telefônicas, envolvendo-se em supostos acordos que configurariam crime de corrupção. Outro dos senadores está na corda bamba tentando provar a fonte da renda utilizada para pagamento da pensão alimentícia da filha mais nova. A cada nova explicação, mais ele se enrola no novelo que criou em todos estes anos de mandato parlamentar.

É inacreditável como esses fatos, e centenas de outros que cansamos de ver, como a Operação Uruguai no governo Collor ou a manipulação das emendas pelos Anões do Orçamento, que acabaram por fazer escola na Praça dos Três Poderes, ocorrem sem que quase nada aconteça aos agentes. Aparentemente, a sociedade brasileira se encontra em tal estado letárgico que se acostumou com as falcatruas que vicejam nos mais variados ambientes da nação.

Habituou-se a esse triste e vergonhoso panorama que persiste, principalmente porque nossos homens públicos também pouco se preocupam com as atitudes que poderiam, caso fossem adequadas, oferecer um parâmetro positivo de conduta para todos os brasileiros. Eles, porém, a cada passo que dão nos mostram o que de pior poderíamos esperar e, conseqüentemente, estimulam muitos para que os sigam nos desvios de comportamento potencializados pela sensação de impunidade.

E olhem que poucos os acompanham no cotidiano. Imaginem então quando determinado personagem possui, além de atributos semelhantes aos desses senhores acima citados, grande exposição na mídia. Tudo se torna ainda mais dramático. É o que acontece com os homens que fazem do nosso esporte um meio de vida e de trampolim político, social e econômico. Mesmo com a intensa investigação feita há alguns anos em uma CPI que demonstrou todas as formas de gestão espúria dos nossos dirigentes, nada lhes aconteceu. Continuam a desfilar toda arrogância e presunção por todos os cantos, livres como pássaros ingênuos que nunca foram.

Agora mesmo, parece que um peixe dos grandes caiu em uma armadilha causada pela sede de poder e, aparentemente, deverá ter grandes problemas para explicar muito daquilo que realizou administrando um dos maiores clubes de futebol do País. O presidente do Corinthians se encontra no cargo há tanto tempo que mistura os interesses do clube com os seus, pois os funcionários de um trabalham também para o outro e alguns custos particulares são bancados pela instituição. Além de usar e abusar de outro hábito muito comum dessas dinastias esportivas, que é o de favorecer familiares e fiéis escudeiros.

Pois é, o senhor Alberto Dualib, que criou uma parceria com uma empresa desconhecida e com fontes de recursos provavelmente fruto de corrupção e outras “cositas” mais, complicou-se a tal ponto que foi pedida a sua prisão. Vamos ver onde isso vai dar, pois pode ser que as investigações nos levem a descobrir, de fato, todas as formas de como se gere o nosso esporte, já que a maioria dos nossos gestores tem conduta semelhante. Esperamos que, havendo irregularidades, os culpados sejam exemplarmente punidos. Quem dera.

Sei que isso dificilmente vai ocorrer, já que este povo tem boas relações com as principais fontes de poder e esse fato sempre atenua as conseqüências de suas ações. Como, aliás, pudemos ver na sétima reeleição (ufa!) do presidente da CBF, que contou com a presença luxuosa do ministro do Esporte.

Isso é o que podemos chamar de aproximação. Um fato lamentável para quem sonhava com uma atitude independente do Executivo perante os nossos dirigentes esportivos. Acompanhar os grandes eventos esportivos é dever, mas ficar pendurado sei lá onde já é demais. As vaias no Maracanã foram de repulsa à falta de respeito a quem imagina que, um dia, o País possa estar livre de tudo isso.

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Poucas palavras

Estou há três dias pensando no que escrever sobre o acidente da TAM. A tragédia em mim juntou uma sensação coletiva de tristeza e desolação, junto a uma sensação pessoal de impotência, pela impossibilidade de expressão. Quem escreve vive da fantasia de tentar, de algum modo, dar versões sobre a realidade. Mas não tenho nada a dizer. Sinto-me amarrado. Dan foi feliz usando-se da não linguagem para exprimir o que sentia. Escrever não dá conta de eventos como esse. A representação de que se apropria a arte soa inócua. A linguagem que serve para nos aproximar, nos afasta pela violência dos fatos. Talvez nunca tenha me sentido tão brasileiro. Em todas as dimensões da minha vida, fui atingido. Coletivamente, tornei-me refém, como meus compatriotas. Individualmente, minha vocação se mostra inútil. Nesse país de quase duzentos milhões de pessoas, quantas não sentem isso diariamente? Ao mesmo tempo, tudo o que ouço e vejo as explosões de culpa e raiva, contra e dentro do governo, soa tão repetitivo, tão farsesco, muito distante da real dimensão dos acontecimentos. Mas uma coisa me incomoda no discurso coletivo, que dia-a-dia, nosso inconformismo vai reproduzindo. Enquanto nomearmos o governo como “eles”, em contraponto a “nós”, a população, seguiremos nessa mesma toada, que da indignação, leva à descrença e dessa nos faz retornar para nossa eterna e cordata apatia. Somos uma república, ao que consta, há 22 anos democrática, e a premissa básica dessa opção, que é coletiva, é atender o desejo da maioria. Basta saber agora o que desejamos, se nessa terra infértil que estamos transformando nossa sociedade, ainda há espaço para desejos e mudanças.


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Triste

Nos comentários abaixo, a ouvinte Vera se refere a um vídeo. Marco Aurélio Garcia e um assessor recebem a notícia de que o avião da TAM tinha um problema. Talvez você já tenha visto, mas se não, aqui está. Triste demais.

http://video.globo.com/Videos/Player/Noticias/0,,GIM703872-7823-O+LADO+POLITICO+DE+UM+ACIDENTE,00.html

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A hora de correr riscos

Ontem, conforme previsão de 2.000 analistas, o COPOM cortou os juros para 11,50% ao ano. É alto, é absurdo, porém NUNCA foi tão baixo e a parte boa é que a tendência ainda é de queda.

Nesse patamar, as aplicações em Renda Fixa, praticamente empatam com a poupança, o que sabidamente é sinônimo de baixa rentabilidade. Sendo assim podemos colocar os fundos DI e Renda Fixa no mesmo grupo onde padecem a poupança e onde "definha" o dólar (rumo aos R$ 1,80 profetizados), no grupo de aplicações que DEVEMOS EVITAR.

Sendo assim e sendo essa a tendência daqui pra frente, quem sabe até o fim de nossas vidas, o que devemos fazer com o nosso dinheiro? Devemos nos acostumar a correr um pouco mais de riscos !!!

Isso mesmo, não o risco de loterias, o risco do tudo ou nada, mas o risco das aplicações que oscilam no dia a dia, porém oferecem um retorno diferenciado no médio / longo prazo. Reparem que a idéia não é vender a casa e aplicar em ações. A idéia é abandonar a renda fixa e experimentar produtos mais inteligentes, flexíveis e rentáveis. A hora de correr riscos ainda é agora e pelo rumo do mundo, que não para de crescer, a festa ainda está em curso e você ainda tem tempo de conquistar aquela bela garota.

P.S O ataque do São Paulo não marcou, mas o Ibovespa rompeu hoje os 58.000 pontos (32 recorde do ano).

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É amanhã !!!!

Senhores e senhoras amanhã é dia de reunião do COPOM para decidir a nova taxa básica de juros para nosso país. Tudo bem e daí? Daí que amanhã pela primeira vez em anos nos tornaremos VICE-CAMPEÕES com muito prazer. Amanhã vou até colocar uma gravata nova para trabalhar.

Deixaremos de ter as MAIORES TAXAS REAIS DE JUROS DO MUNDO (palmas!). Recentemente já tínhamos deixado de ter as maiores taxas nominais e agora passamos esse terrível troféu adiante. O troféu cai no colo da Turquia.

Amanhã pela primeira vez em 507 anos se torna matematicamente IMPOSSÍVEL uma aplicação conservadora render 1% ao mês. Prestem atenção: IMPOSSÍVEL.

Amanhã é dia de alta na bolsa, medalhas no PAN e ataque tricolor funcionar. Amanhã é dia de tudo, pois enfim investir em Títulos do Governo deixará de ser obrigação para ser apenas uma (má) opção.

Isto sim será bom para todos. Não vai privilegiar ninguém em especial. Vai tornar dívidas mais baratas, baratear o acesso ao crédito, vai incentivar ainda mais os investimentos em ações e na “economia real”, ou seja, vai impulsionar o país pra frente.

Mais do que a queda de 0,5% no COPOM de amanhã, vamos romper definitivamente essa barreira psicológica de juros nominais de 12% ao ano.

Então está tudo ótimo? Não. Está tudo bem. E pelo andar da carruagem, nesse Governo, avesso às reformas, ao trabalho e aos investimentos é o máximo que podemos pleitear.

Amanhã vai começar a valer a pena correr riscos, vai começar a valer a pena pensar em ter um negócio próprio. Amanhã ainda é apenas o começo do que vai vir pela frente. Amanhã, venho de camisa e gravata novas. Amanhã é dia de Ibovespa acima de 58.000 pontos.


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Quatro filmes chuvosos

A chuva não cessa. Eu que ando por aí fico aqui ilhado, olhando pela janela, contando os pingos que batem nas copas das árvores. Estou entediado. Ligo a tevê é só dá gente nadando, correndo, pedalando, chutando, pulando. E eu aqui parado. A única coisa que me resta a fazer, quando mais nada há para fazer, é criar listas. Acabei de criar uma. Uma lista de filmes chuvosos. É! Filmes em que não pára de chover, mas que mesmo assim, as coisas não param de acontecer. Puxando pelo fio da memória, lembrei de quatro. “Fim de caso” (1999), do Neil Jordan, com três atores fantásticos – Stephen Rea, Ralph Fiennes e Julianne Moore. Baseado no romance homônimo do Graham Greene. Tudo se passa em Londres durante a segunda guerra, e conta a história de um triângulo amoroso. Lembro de uma cena antológica - um beijo reconciliatório entre os amantes. Um beijo encharcado de chuva, abrigado sob as abas de um casaco. Outro filme é “Amor à flor da pele” (2000), do esteta Wong Kar-Wai. Numa Hong Kong aquosa, em quartos de cores exuberantes, uma estória que se escreve pela proximidade absurda de uma vizinhança, movida a adultérios e covardia. Não é preciso ler as legendas, o filme entra pelos poros, como se água que encharca o cenário se tornasse uma névoa que envolve quem o assiste. Seguindo na lista, “o clássico dos clássicos de chuva”, é, obviamente, “Cantando na chuva” (1952), com o genial Gene Kelly. Nada a acrescentar, talvez apenas uma vontade que vai tomando a minha mente, de talvez sair por aí pisando algumas poças... Será? Pra fechar, uma chuva tão esdrúxula quanto esse post. Uma chuva “bíblica” de sapos que encerra “Magnólia” (1999), filmaço de Paul Thomas Anderson. Sapos caem do céu e inundam (?) Los Angeles... Acho que por hoje eu já fui longe demais...


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A pergunta que faltava

Aqui, o "extra" do Xico Sá. Papo bom, e aqui ficou ainda mais engraçado. Sobre homens e mulheres...



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Tom e Vinicius

Na voz de uma jovem cantora. Boa pedida para noites chuvosas, tédios profundos e amores quase desfeitos. Ou, pra quem preferir, para sublimar tudo isso, apenas pelo prazer de cada sílaba do poeta e nota do maestro.



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QUE DOMINGO !!

Medalhas no Pan, hepta campeonato na Superliga de Voley, Campeonato Mundial de Voley juvenil, chocolate do Brasil C na Argentina A na final da Copa América e dormi com a declaração de Dunga, já campeão: “Esse título é para o brasileiro comum que sai pra trabalhar de madrugada e só volta à noite depois de um dia duro e sua única alegria e ver a Seleção jogar ”

E acordei com a declaração do Lula: “Fiquei triste com as vaias, foi como se tivesse sido convidado para uma festa de um amigo e as pessoas não quisessem que eu estivesse lá”

Quanto trololó !!!!


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14 de julho

Hoje se comemora a queda da bastilha na França. Aqui os são paulinos comemoram o aniversário do TRI da Libertadores.

Nesse dia comemoro 6 anos de namoro e por coincidência 2 anos de casamento e por mais coincidência ainda 2 anos da maior final que vi meu time ganhar na vida: 4 x 0 no Atlético PR e um título muito importante e muito perseguido.

Hoje no aniversário de tudo isso tem mais um São Paulo e Corinthians. Fiz e refiz as contas e conclui: hoje deve ser meu dia de sorte, hoje o SP enfim vai fazer um gol, hoje vai ser como nos últimos 6 anos uma noite gostosa. Tomara.


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O personagem da semana

Na semana que começa amanhã, já tenho a minha aposta do personagem da semana, pelo menos nos EUA ou pelo menos para quem gosta de esportes. Barry Bonds, jogador de beiseball do S.Francisco Giants irá quebrar o recorde de home runs da história.

Esse recorde, equivalente aos 1.000 gols do Pelé, foi quebrado apenas 2 vezes no século passado e provavelmente nunca mais será repetido. Não quero me alongar nisso, apenas usar a informação para discutirmos uma coisa mais séria.

Barry Bonds está longe de ser uma unanimidade. Metade dos americanos e dos jogadores repudiam a marca, pois ficou provado que em pelo menos uma temporada, o atleta usou esteróides. O detalhe é que Bonds é indiscutivelmente o maior rebatedor da história e o doping, apesar de errado, não era determinante nos bons resultados obtidos. O mal estar é tão grande que ele provavelmente não irá para o Hall da Fama quando se aposentar, o que seria impensável aqui e existe alguma chance da MLB sequer mandar alguém ou algo para simbolizar o fato. Bonds tem 42 anos e em mais de 15 temporadas, rebateu 751 vezes a bola pra fora do campo e a cada 10 vezes que foi ao bastão em toda a vida, quase quatro foram rebatidas com sucesso.

Ele foi eleito várias vezes o melhor jogador, o melhor rebatedor, o mais qualquer coisa. Jogou toda a carreira em APENAS dois clubes. NUNCA foi campeão porque os dois times eram horríveis e mesmo podendo jogar em qualquer lugar, nunca saiu desses times. É idolatrado em S.F e odiado no resto da América, tudo porque, em uma temporada usou esteróides.

A bola da rebatida 700 foi comprada por Um milhão de dólares e certamente esse será o feito mais importante da história recente do esporte americano. Será capa em todo os jornais e o país vai parar para ver Bonds no bastão.

Um desses 751 home runs foi com minha presença num dos vários jogos que eles fizeram contra os Padres de San Diego. Escrevi tudo isto porque tenho duas invejas em relação ao assunto: como os EUA respeitam e cultuam seus ídolos, sabem fazer uma festa esportiva (vide os ALL STAR GAMES) e como o “erro” ou “roubo” tem um peso diferente, não fica a sensação de impunidade, a pessoa já não anda com a cabeça tão erguida. O maior rebatedor de toda a história é um herói, mas para o resto da vida vai carregar esse *** na biografia. Por causa dessa “malandragem” metade dos pais americanos não querem que seu filho seja no futuro um Barry Bonds.



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E nesta sexta 19:00, Xico Sá

Escritor, editor, colunista...ao vivo, perguntas aqui ou pelo mail, até lá!

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Sósias?

De uns tempos pra cá fui acometido de uma dúvida cruel. Estaria eu em devaneio? Nas fotos abaixo, você tem, na ordem, o sul africano Coetzee (de "Desonra"), o inglês Ian McEwan (de "Reparação") e o americano Phiph Roth (de "Complexo de Portnoy). Segundo muitos, os três maiores escritores da atualidade. Eu li os livros e realmente indico. Mas, a questão não é essa. Você vê, junto aos três, o nosso Zé Godoy. Não seria um caso raro de sósia múltiplo? O Zé não seria a imagem jovem perfeita para qualquer um dos três? E o inverso? O Zé, mais velho, não poderia ser qualquer um deles, pelo menos na aparência? O que você acha? Que "versão" você prefere?

jovem


senhor
Coetzee
Mc Ewan
Roth



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Coincidências

Já criei alguns inimigos no programa por defender com unhas e dentes as privatizações. Alguns tentam me convencer apontando escândalos em casos passados e reafirmo que sou a favor, pois não estou dizendo, privatizações com roubo, estou defendendo apenas as privatizações.

Acredito que sem elas ninguém teria celulares e se elas tivesse continuados, teríamos estradas, portos, aeroportos e quem sabe um país melhor.

Agora me digam se é coincidência? Lembram do caos do Banespa? Lembram dos shows que o Banco do Brasil patrocinavam? Lembram que o mensalão começou nos Correios, passou pela famosa lista de Furnas, derrubou recentemente o ex Presidente da Eletrobrás, que "apanhou" Silvinho Pereira ganhando carrão para encaminhar algumas coisas na Petrobrás ?

As estatais em qualquer Governo e em qualquer esfera, sempre trazem esse tipo de novidades, como vimos hoje no jornal mais uma vez algo relacionado à Petrobrás. Sem contar, é claro, na moeda de troca que esses cargos significam e em todo poder que eles conferem à algumas pessoas.

Por fim, vejam o que virou da Vale privatizada, da Telesp privatizada, da CSN privatizada ...Nesses casos, pelo menos quando temos algum escândalo, sabemos que quem está pagando a conta não somos nós. Quando eu for Presidente, vou privatizar tudo !!

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Fim de festa

Estou de volta a São Paulo. Um pouco cansado, um pouco lento, depois de ver tanta gente num espaço tão reduzido, em dias tão intensos. Paraty é linda, mas durante a FLIP, a cidade parece que se subdivide. Há a cidade que sempre esteve lá, com seu mar, montanhas que permanecem plácidas, e há a cidade dos homens, a cidade que os homens inventam durante esses cinco dias. Poderia dizer que existe ainda outra cidade, a que a imaginação de cada um inventa, através dos livros, aqui tão debatidos. Mas essa cidade por ser infinita não cabe no meu laço, não sei abarcá-la com meu texto. O que me restam são memórias, e sendo sincero, as que trago de volta com mais saudade, são as de pequenos momentos, pequenos encontros em meio à balbúrdia. Meu papo com Jim Dodge, debaixo de uma árvore, ele segurando a pata gigante que seus editores encomendaram aos responsáveis pelos adereços de uma escola de samba. Guardo comigo sua absoluta falta de presunção, uma espécie de gratidão por estar vivo, por saber que a literatura não é maior do que a vida, como ainda pensam alguns escritores, sem frases de efeito que escondem profundas inseguranças. Posso dizer que conversei com Jim Dodge e não com um personagem. Com o homem Jim Dodge, e que além de tudo, é um grande escritor. Não posso me esquecer de sua mesa com Will Self, que mais novo e mais ambicioso dominou os holofotes, mas dono de uma inteligência aguda, conseguiu reverter um sintoma que me incomoda demais nesse tipo de encontro. Sendo absolutamente desprezível em sua empáfia e em suas opiniões, mas zombando de si mesmo com tal maestria, que deixava transparecer o quão patético pode ser quem se leve muito a sério. Uma lição que o argentino Alan Pauls ainda não absorveu, ou não tem vontade de fazê-lo, tentando através de frases bombásticas e tolas, demarcar território, mais afastando do que atraindo. Guardo ainda o gentil encontro entre Nadine Gordimer e Amós Oz, tão terno quanto uma dança “cheek to cheek”. Enfim, guardo o blecaute que anunciou a apresentação de Coetzee. Guardo traços de seu novo personagem, destilando suas impressões de um ano em uma hora. Guardo diversos rostos, frases e instantes breves que mudam nossa percepção sobre algum ponto da realidade. Preciso agora assentar essa vivência em minha mente, descobri o que sobra depois de tanto viver, de tanto pensar. Ou, simplesmente, enfim entender que tudo se esgota na própria experiência, e que amanhã é preciso tudo recomeçar.



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A pergunta que faltava

O "extra" da entrevista com o Fábio Bueno Netto, bom papo da sexta passada. Aqui, emendamos a conversa.



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A volta

Uma das vantagens de ir viajar sempre será voltar. Por que temos saudades das coisas do dia a dia? Outra vantagem de se estar fora do país é perceber como são boas as coisas lá fora e como são boas as coisas aqui dentro.

Tenho ficado mais deprimido em voltar. Talvez esteja mais velho, talvez esteja acompanhando mais as coisas ou talvez tenha enfim percebido que as coisas aqui só não andam porque nào querem que andem.

Estava em Londres no fim de semana da quase catástrofe. Estava lá perto quando num mesmo fim de semana tivemos: GP de F1, final de WImbledon e início da volta da França. Dá para imaginar tudo isto num fim de semana apenas em São Paulo? Como as pessoas chegaram lá ao mesmo tempo ???!!!

Inegavelmente lá fora se vive melhor. Coisas simples das quais ficamos privados aqui, ainda são básicas na Europa. Lá, os problemas parecem mais sérios e sem solução, como essa onda de terrorismos e imigração. Lá fora se ganha mais, porém tudo é mais caro. No mais, como tudo na vida, é possível perceber as vantagens e desvantagens de se morar em cada lugar. Certa vez um taxista, em San Diego, me falou: Não existe lugar melhor no mundo do que a Somália.

Sendo assim só me resta dizer o óbvio: VIAGEM. Quanto mais, melhor; quanto mais diferente, melhor. Ir será sempre bom. Voltar será sempre melhor ainda. Saia do Brasil para poder conhecer e procurar o que o mundo tem de melhor, só tem 3 coisas que nunca achei lá fora como aqui: mulheres, praias e café.

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Coetzee

Todo mundo que estava aqui, esperava o sábado à noite. O dia de Coetzee. É engraçado que mesmo depois de vê-lo seguidamente andando pela cidade, essa espera ainda fosse ansiosa. A poucos minutos do evento um blecaute cega a cidade, deixando apenas as tendas da festa acesas. Foi nesse ponto de luz em meio à escuridão, sob um céu estrelado e plácido, que Coetzee apareceu. Não foi um show, como muitas das mesas anteriores, não foi um debate, não era possível fazer perguntas. Uma hora de Coetzee. Uma hora com o escritor lendo trechos de seu novo livro, que deve ser lançado por aqui em outubro, “Diary of a bad year”. Só literatura. O momento mais literário e literal numa festa como essa. Algumas pessoas deixam a leitura antes do seu fim. No palco o autor lê com calma e serenidade o que escreveu. Reflexões de um senhor sobre um ano de sua vida. É refinado, às vezes duro. Não é para principiantes. Não dá para fazê-lo sem se envolver. É como se uma porta se abrisse em meio à atmosfera festiva, e por que não? Um tanto quanto promíscua que toma a cidade. É o que a literatura ainda tem para nos dar num mundo recheado de imagens. A possibilidade de sentar e se concentrar, de ouvir, de estar atento a